agosto 30, 2026
A Catarse de ser Latino-Americano: Silvero Pereira encarna Belchior em noite memorável no Sesc
No último domingo, 30 de agosto, o Teatro do Sesc Santo Amaro foi palco de um encontro de almas cearenses. De um lado, a poesia atemporal e cortante de Belchior; do outro, a entrega visceral do ator e cantor Silvero Pereira. Mais do que um simples tributo, o espetáculo provou ser uma celebração cênica e musical que resgatou a urgência das palavras de um dos maiores compositores do Brasil.
Teatralidade e Força Musical
Conhecido por sua presença magnética no teatro e no audiovisual, Silvero usou de toda a sua bagagem dramática para interpretar o repertório. As letras de Belchior, por si só densas e filosóficas, ganharam contornos de manifesto na voz do artista, que não apenas cantou, mas viveu cada verso no palco.
Para sustentar essa intensidade, o espetáculo contou com um som robusto e perfeitamente equilibrado, executado por uma banda de excelência. Sob a direção musical de Wallace Lopes, o grupo soube construir as texturas exatas — dosando a explosão de um rock de protesto com a sutileza melancólica que as baladas do homenageado exigem.
Os músicos da banda que deram vida ao espetáculo: Wallace Lopes: Direção musical e guitarra, Geremias Rocha: Teclado, Brunu Chico: Violão e baixo, Natalia Arrivabene: Bateria e Vitor Lima: Sopros.
Uma Viagem pela Obra
O show funcionou como uma narrativa das inquietações, amores e esperanças de toda uma geração. Começar a noite com a catarse de “Sujeito de Sorte” foi um golpe de mestre, estabelecendo uma conexão imediata com a plateia.
O roteiro fluiu habilmente entre o peso existencial de “A Palo Seco” e “Alucinação”, e o romantismo passional de “Todo sujo de batom” e “Coração Selvagem”. Destaque também para a interpretação de faixas como “Fotografia 3 x 4” e “Galos, noites e quintais”, onde a essência retirante e confessional de Belchior veio à tona com força total.
A reta final foi construída para não deixar ninguém sentado: o encerramento com a atemporal “Como Nossos Pais”, emendada na energia de “Velha Roupa Colorida”, coroou a noite com uma aura de renovação.
Setlist da noite:
O Veredito
O grande triunfo do espetáculo é que Silvero Pereira não tenta imitar Belchior. Ele toma as dores, os amores e as angústias do conterrâneo para si, entregando uma performance que é, ao mesmo tempo, uma homenagem reverente e uma interpretação autoral. Um show pulsante e necessário para manter vivo e afiado o legado de um rapaz latino-americano que jamais será esquecido.
Fotos: Van Campos / parceiro Boomerang Music
Agradecimentos: Assessoria de Imprensa SESC SANTO AMARO