Black Pantera lança novo álbum, “Continental”
Álbum conta com as participações especiais de Duquesa, Sandra de Sá, Derrick Green e Chico César
A banda Black Pantera é continente. Embora seu som seja um rock pesado, eles abarcam outros ritmos, influências de outros estilos e outros públicos. Seja pela força das músicas, pela incrível performance ao vivo ou pelo discurso antirracista, sempre coerente e consistente, o Black Pantera vai rompendo fronteiras e ganhando mundos.
Em “Ascensão” (Deck/2022) firmaram sua identidade como banda e desde então vem frequentando grandes festivais, tocando no Brasil e no exterior e tendo o trabalho reconhecido através de diversos prêmios que receberam. Em “Perpétuo” (Deck/2024) trouxeram influências de ritmos latinos, um olhar para a humanidade e para eles mesmos como continuidade de uma história, como quem passa adiante as histórias ouvidas pelos ancestrais, incluindo suas próprias experiências.
Agora, com “Continental” refletem sobre o Brasil, um país continental, feito de vários Brasis dentro de si. O álbum mistura o rock às vivências pessoais de Chaene da Gama (baixo e vocal), Charles Gama (vocal e guitarra) e Rodrigo “Pancho” (bateria), além de questões ancestrais que os acompanham desde o início. “É o melhor álbum que a gente construiu até hoje. É a soma de tudo que a gente passou, e trata desse Brasil que é gigante e desse Black Pantera também, imenso, muito maior do que a gente”, comenta Chaene da Gama.
É um álbum que traz questões atuais, partindo da geopolítica. Não por acaso, eles aproveitaram para homenagear o professor e pensador Milton Santos (1926-2001), não só na letra, como incluindo um áudio de um depoimento, que, entre outras coisas, dizia que a América do Sul será a nova potência global. “Continental” é um olhar para o mundo a partir desse continente, sua força, beleza e contradições. Há letras sobre polarização, “Start the Game” e “Obsoleto”, vida na estrada, “Velho Jeans Rasgado” e questões em torno do racismo como “Hórus”, “Negusa Nagast”, “W.P.P.” e “Sic Mundus”.
Além de Milton Santos, “Continental” agrega vozes importantes da música brasileira. Sandra Sá brilha em “Quando Canto”, uma ode à ancestralidade e à cura através do canto. “A Sandra é uma artista icônica, que a gente cresceu ouvindo, e quando gravamos a música sentimos que caberia uma voz ancestral, uma voz poderosa”, conta Charles Gama. “Meus pais ouviam Sandra Sá, eu ouço, já fui a shows e até hoje não acredito que ela gravou no disco”. Duquesa, uma das artistas de maior destaque do rap contemporâneo, está presente em “Serotonina”. “É um álbum que fala desses vários gêneros, de vários Brasis”, comenta Chaene da Gama. “É especial que as duas convidadas representem gerações distintas, porém complementares, da música brasileira.”
Derrick Green, do Sepultura, é um feat internacional que mostra a grandiosidade do projeto. Homem preto, à frente de uma das maiores bandas de metal do planeta, Derrick é uma grande inspiração para o Black Pantera, e está presente na faixa “Obsoleto”. “É uma honra imensa ter artistas desse calibre no nosso álbum” conclui Rodrigo Pancho.
Por fim, Chico César empresta seu canto para “Banzo”, uma resposta aos defensores da meritocracia. “Ele é um dos grandes artistas do Brasil, uma voz poderosa com muita personalidade. Chamamos ele por conta dessa força e o resultado ficou incrível, inclusive o contraste do nosso sotaque mineiro com o dele, da Paraíba, engrandeceu mais ainda essa faixa. O Brasil é feito disso, né? Cada região com sua particularidade, um país continental”, comenta Chaene.

“Continental” é um lançamento da gravadora Deck, produzido por Rafael Ramos, gravado no Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, mixado por Leo Ramos no estúdio Estábulo e masterizado por Fernando Delgado no estúdio FD Mastering, exceto “Hórus”: masterizada por Chris Gehringer no estúdio Sterling Sound.
Com informações: PIKY – MARIANA CANDEIAS