GUILHERME ARANTES lança seu novo álbum “Interdimensional”

Ouça aqui:  https://vm.group/interdimensional-do4-x

 

Pedi a Guilherme Arantes, em 2017, mais uma canção inédita para o álbum que estava produzindo para Gal Costa. Três anos antes, havia feito pedido idêntico e recebemos “Vou Buscar Você pra Mim”, gravada no projeto Estratosférica (2015). Desta segunda vez, ele escreveu “Puro Sangue (Libelo do Perdão)”, incluída no álbum A Pele do Futuro (2018), o último trabalho de canções inéditas da história de Gal. “Guilherme é um gênio”, ela repetia sempre que o nome do compositor surgia. “Ele faz uma música sofisticadíssima, mas que é tão bem acabada que parece simples, toca no rádio, entra na vida das pessoas.”

 

Trago essa história não apenas porque “Puro Sangue” é uma das 15 faixas de Interdimensional, o novíssimo álbum do “gênio” (como Gal diria outra vez). Mas porque foi justamente esse movimento de busca pelo ponto de vista do outro, de um intérprete que não ele próprio, o mecanismo que gerou grande parte dos caminhos estéticos do novo repertório que agora ele apresenta. Como se, deslocando seu olhar para traduzir outras personalidades, Guilherme encontrasse facetas inesperadas de sua própria voz.    Tanto isso ocorre que, além de “Puro Sangue”, Interdimensional traz as versões do autor para canções escritas originalmente para Alaíde Costa (“Berceuse”), Boca Livre (“Toda Felicidade”) e Claudette Soares (“O Prazer de Viver para Mim É Você”).

 

Interdimensional chega às plataformas de música no dia 15 de janeiro e também ganha edições físicas em CD e vinil duplo. Embora seja composto de canções inéditas, o novo álbum se insere nas comemorações dos 50 anos da carreira solo do artista, inaugurada com o LP Guilherme Arantes (1976), obra-prima inexorável, clássico cintilante da música popular brasileira. É neste álbum de estreia, aliás, que está a versão primeira de “Meu Mundo e Nada Mais” – canção que, incluída na trilha da novela “Anjo Mau”, foi veículo perfeito para levar a voz de Guilherme para todos os lares brasileiros em 1976.

 

A efeméride dos 50 anos de carreira amarra um ciclo artístico real, já que tantos elementos que compõem Interdimensional se comunicam diretamente com o que já existia no álbum de estreia de Guilherme. Volta à tona o compositor que combinava Chopin e rock progressivo, Tom Jobim e Clube da Esquina, Maysa e Ernesto Nazareth. São confluências que só se deram ali, sob a curadoria de Guilherme Arantes, debaixo do guarda-chuva de interesses tão particulares dele. O pop e o sucesso de rádio viriam depois, nos anos 1980, com contribuições decisivas para a equação futura. Mas ali, ainda nos 1970, Guilherme vivia ainda a “era da inocência” que regia o mercado musical brasileiro de então, a era da invenção, onde tudo parecia permitido. E é a esse espírito que ele retorna no novo álbum.

 

Segundo o compositor, uma das premissas de Interdimensional era preservar a longa duração natural de várias faixas. “O tempo das canções não deveria nunca mais obedecer aos ditames do algoritmo ou de qualquer padrão. Não vale mais fazer esse sacrifício na hora de compor, já que a adequação da ‘música de mercado’ simplesmente perdeu a razão de ser”, ele comentou, em um telefonema, logo no início do processo de estúdio. “Talvez estas não sejam mais canções para este tempo atual, tão imagético e caricato. Talvez estejam mais ligadas a um passado glorioso. Ou sejam projeções para um futuro qualquer, mais generoso e que dê valor aos sons e às palavras. O tempo de tentar se enquadrar em gavetinhas de dois minutos já ficou há muito para trás.”

 

O próprio Guilherme escreveu o faixa-a-faixa completo de Interdimensional (leia no final deste texto). Ainda assim, arrisco abaixo algumas notas breves sobre os caminhos que o repertório tomou.

 

“A Vida Vale a Pena” coloca Tom Jobim e Stevie Wonder na mesma praia e tem letra de Nelson Motta, reeditando a parceria clássica que gerou “Coisas do Brasil” e “Marina no Ar”. “No Mel dos Seus Olhos” também é muito carioca e subverte a lógica da canção tradicional com seu final falso. Costurada pelo trombone de Marlon Sette, “Minúcias” vai se tornando musicalmente mais épica e poeticamente muito esperançosa à medida que correm os quase seis minutos de duração.

 

A balada black “Libido da Alma” também foi escrita para outra voz – uma cantora que eu produziria, mas cujo álbum acabou não acontecendo – e ganha aqui sua primeira versão. “Intergaláctica Missão” traz ecos do rock setentista na construção da melodia e tons do cinema de Stanley Kubrick na letra. De acento latino, “Enredo de Romance” tem solo de guitarra do icônico Luiz Sérgio Carlini (Tutti-Frutti).

 

Com vocais de Mônica Salmaso e flautas de Teco Cardoso, “Luar de Prata” parece casar a tradição brasileira do choro a “Um Dia Um Adeus” (na introdução), clássico do próprio Guilherme. “Sob o Sol” faz a ponte com a seminal Moto Perpétuo, banda que o lançou como compositor e frontman em 1974. “O Espelho” é a faixa de estética mais deliciosamente anos 1980 do álbum, uma delícia. E a instrumental “50-Anos Luz” joga o tempo de volta aos anos 1970, bebendo toda a água na fonte do rock progressivo.

 

Todas as canções acima são completamente inéditas. Além delas, estão no álbum as já citadas “Puro Sangue (Libelo do Perdão)”, “Berceuse”, “Toda Felicidade” e “O Prazer de Viver para Mim É Você”, lançadas respectivamente por Gal Costa, Alaíde Costa, Boca Livre e Claudette Soares. Vale lembrar que, além do dueto com Claudette, “O Prazer de Viver para Mim É Você” já havia rendido um single na voz solo de Guilherme, em junho de 2025. Para entrar em Interdimensional, a faixa ganhou nova mixagem.

 

Essa canção tem importância dobrada, segundo o compositor, pois marcou uma redescoberta dos caminhos harmônicos da tradição do piano brasileiro, um ponto de inflexão em sua obra. Tanto assim que surge em duas versões: uma cantada e outra instrumental, cinematográfica, que fecha o álbum. Esta gravação, aliás, marca o reencontro do artista com seu piano Steinway, já que Interdimensional é o primeiro álbum produzido em seu novo estúdio, em Ávila, na Espanha, onde ele vive atualmente.

 

Além de Guilherme Arantes em todas as teclas, o time de músicos conta com Alexandre Blanc (guitarras-base e violões), Luiz Sérgio Carlini (guitarras-solo), Gabriel Martini (bateria e percussão), Willy Verdaguer e Milton Pellegrin (baixos). Participam também, em momentos isolados, Teco Cardoso (flauta), Mário Manga (cello), Cássio Poletto (violinos), Marlon Sette (trombone), Sergio Duarte (bateria e percussão) e Scott Ackley (guitarra). Os arranjos de cordas das faixas 7,14 e 15 foram escritos e regidos por Jacques Morelenbaum, e todos os demais por Guilherme.

 

Acompanhando de perto a feitura do álbum, desde o surgimento das canções até sua finalização, testemunhei o esmero entusiasmado com que o Guilherme trata todas as etapas do processo. Recebi telefonemas eufóricos a cada nova melodia composta, a cada letra escrita. Ouvi sua excitação ao reportar os comentários elogiosos de Sylvia Massy, mixadora americana que já trabalhou com Johnny Cash, R.E.M., Red Hot Chili Peppers e que o comparou a Prince na maneira de lidar com o ofício. Assisti à animação dele nos preparativos para a sessão de fotos com Leo Aversa, que clicou a capa do álbum. E entendi muito de seu método artístico ao observar o impacto que o filme “Chopin: Desejo de Amor” (2002), do diretor polonês Jerzy Antczak, causou em sua forma de ver a própria história.

 

Sobre o filme, Guilherme me escreveu assim: “Pirei com a história do Chopin. Seu retiro para Mallorca para compor os prelúdios, o romance com George Sand e a difícil relação dele com o mercado da música no auge do Romantismo em Paris. Eu me identifiquei muito. Sempre vi uma linha clara ligando a música de Chopin, Debussy e Tom Jobim. O período áureo do samba-canção e da bossa nova sempre foi matriz fundamental para minha música, mesmo na sua vertente mais pop. Morando aqui na Espanha, vivo a redescoberta particular de um Brasil de outro tempo, da presença constante da harmonia e da melodia como chaves para resgatar um passado tão musical que aponta para o futuro.”

 

Esse é o Brasil que Guilherme Arantes quis imprimir em Interdimensional. E talvez só alguém que, como disse Gal, “faz uma música sofisticadíssima, mas que é tão bem acabada que parece simples” consiga realizar um país assim. A música pode tudo.

 

Release acima por por Marcus Preto

  

FAIXA A FAIXA

 

por Guilherme Arantes

 

  1. “A Vida Vale a Pena”(Guilherme Arantes/ Nelson Motta)

Ao ouvir em primeira mão “O Prazer de Viver para Mim É Você”, meu parceiro Nelson Motta reconheceu uma linhagem: aquela que conecta Chopin (1810-1849), Debussy (1862-1918) e Tom Jobim (1927-1994), tendo o período áureo do samba-canção e da bossa nova como matriz fundamental da minha formação, mesmo quando a música que eu fazia se aproxima de uma vertente mais pop. Ali se renovou o desejo de uma nova parceria nossa. Muitos clássicos do meu repertório nasceram dessa assinatura conjunta, em canções como “Coisas do Brasil”, “Marina no Ar” e “Era uma Vez um Verão”, entre outras. A saudade de voltar a compor com Nelsinho me levou a caprichar ainda mais na feitura da canção, escrita em janeiro de 2025. Assim surgiu a faixa que abre este novo álbum: claramente chopiniana-jobiniana em sua simplicidade harmônica e cromática, e rapidamente assumida como um novo clássico da nossa parceria. Nelson entregou a letra em questão de dias. Ela traz um olhar retrospectivo sobre a vida, marcado por um “otimismo realista” e por uma visão madura do amor na convicção profunda de uma plenitude agregadora de todas as contradições do viver e do sonhar romântico. Um romance menos idealizado e mais real. É uma balada clássica vestida com simplicidade em piano, violão e cordas, com destaque para o coro de inspiração gospel no verso “I believe in love”.

 

  1. “No Mel dos Seus Olhos”(Guilherme Arantes)

As influências vão do pop oitentista de Billy Idol, Brian Ferry e dos suíços do Double à MPB dos anos 90, numa ode à revelação amorosa através do olhar. A curiosidade está num falso final que, aos 2 minutos e 20 segundos, separa a segunda parte do poema. Em tons “caetanísticos” e “buarqueanos”, aflora ali o delírio da letra, que expõe o complexo desafio do cotidiano nas relações amorosas. A escolha é também uma provocação à lógica do mercado radiofônico, que impõe às canções uma duração estritamente funcional. A pausa funciona como uma tentação para que as rádios interrompam a execução, deixando o “papo cabeça” reservado aos ouvintes mais atentos. Uma brincadeira consciente de compositor. Destaques para o baixo de Milton Pellegrin e as guitarras de Alexandre Blanc.

 

  1. “Minúcias”(Guilherme Arantes)

Esta canção nasceu de uma crescente angústia diante do olhar devassador com que o ambiente social, coletivo e digital atua. Ele acaba sendo, no dia a dia, um tribunal de constante e implacável julgamento sobre as escolhas individuais. A felicidade alheia, nesse tempo de vigilância opressora das redes, parece sempre convocar adjetivos, julgamentos e opiniões. Uma (des)humanidade imagética que projeta e constrói tudo a partir do olhar: olhares, câmeras e telas transformados em instrumentos de engano, desencanto e condenação. Diante disso, o amor e as relações precisam resistir, seja aos olhares de desaprovação materializados em comentários e críticas, seja à inveja, seja ainda à admiração exagerada, que beira o desejo incontido e o aliciamento à traição. Destaque para o trombone de Marlon Sette, que pontua a melodia e inaugura a canção com uma introdução magistral.               

 

  1. Libido da Alma”(Guilherme Arantes)

Traz um estilo híbrido de MPB com soul music brasileira que já visitei em canções que ficaram bastante conhecidas como “Pedacinhos”, no início da década de 80. E marca uma antiga afinidade com o estilo dos teclados de Lincoln Olivetti (1954-2015), dos arranjos de Biafra, Prêntice (1956-2005), Claudia Telles (1957-2020) e Banda Black Rio: uma linhagem nobre que soube misturar bossa nova com soul music. Mais um destaque para o baixo de Milton Pellegrin. O tom do canto foi cuidado para soar ao pé do ouvido, inspirado na escola de João Gilberto (1931-2019) e a delicada emissão que ele ensinou ao mundo. Um cuidadoso aprendizado, uma aventura nova como intérprete.

 

  1. “Intergaláctica: Missão”(Guilherme Arantes)

Balada pop clássica de viés cósmico-filosófico, a canção é uma declaração explícita de amor que se expande até se tornar um diálogo com a Instância Máxima da Criação. Iluminado por uma nova visão do Cosmos, possibilitada por instrumentos recentes e avanços espetaculares da pesquisa científica, o Universo se revela em grandeza e complexidade ampliadas ao olhar fascinado e estupefato da humanidade. As dimensões e distâncias inalcançáveis do espaço-tempo passam a expressar, cada vez mais, a pequenez humana. Mesmo assim, há uma esperança filosófica no ponto em que Ciência e Espiritualidade convergem. Uma epifania recente: a vida inteligente pode ser também uma recriação do Princípio Criador de Tudo. Sou fascinado pelo princípio ao qual damos o nome genérico de Amor. O mesmo Amor ao qual damos um nome genérico e teológico para explicar a Instância Máxima que Tudo Rege. O Princípio fundador e final da Criação, ao qual atribuímos o nome abrangente de Deus, seria algo que carregamos dentro de nós. Talvez aí resida a chave para a libertação da pequenez e da sensação de insignificância humanas. Ao conectar o espírito ao Princípio Criador, tudo se tornaria possível no espaço-tempo. E talvez esse seja o segredo comum a todas as tradições teológicas, uma espécie de meta-tecnologia que nos faria regentes do Todo. Destaque ao baixo de Willy Verdaguer e à bateria de Gabriel Martini.

 

  1. “Enredo de Romance”(Guilherme Arantes)

Embora meu nome tenha sido muitas vezes associado à década de 1980, minhas raízes estão mais profundamente fincadas nos anos 1970, com suas estéticas, referências e iconografias próprias. Dentro deste novo álbum, a vertente pop setentista se manifesta em “Enredo de Romance”, faixa de sonoridade “vintage” que combina influências evidentes de Steely Dan, Doobie Brothers, Rita Lee (1947-2023) e A Cor do Som, por exemplo. A gravação se apoia numa levada guiada por piano elétrico Wurlitzer e guitarras retrô, com destaque para o solo de Luiz Sérgio Carlini, justamente o guitarrista do Tutti-Frutti, que se insere entre as guitarras de acento latino de Blanc. Resultou em um pop brasileiro típico: ensolarado, colorido de verão e repleto de percussão: congas, bongôs, chocalhos, reco-reco e cowbell.

 

  1. “O Prazer de Viver para Mim É Você”(Guilherme Arantes)
    Composta para Claudette Soares a partir de um convite de Marcus Preto, a canção visita um gênero clássico da canção brasileira que, até então, eu não tinha visitado como compositor. Acabou por se tornar um portal criativo, abrindo a janela para um universo mágico de sonho, um sonho delicado de brasilidade moderna. A audição recorrente de elementos basais dos anos 1950 e 1960, como Julie London (1926-2000), Chet Baker (1929-1988) e João Gilberto (1931-2019) se soma ao prazer de sentar ao piano para estudar e tocar Tom Jobim (1927-1994), Johnny Alf (1919-2010) e João Donato (1994-2023), mergulhando na riqueza do piano brasileiro, do samba-canção e da bossa nova que marcaram minha infância ainda no período pré-Beatles. Havia ali algo de renascimento. Todo esse caldeirão começou a ferver durante o hiato de 2024 e 2025, fase de longos recolhimentos dedicados à composição. A gravação deste álbum marca o reencontro com o meu piano Steinway no estudio de Avila, agora concluído. A faixa, agora, foi remixada por Sylvia Massy com nova concepção em relação ao single lançado em 2024 para manter unidade sonora com o restante do álbum. O arranjo e a regência são de Jacques Morelenbaum e a gravação aconteceu nos estúdios Biscoito Fino, no Rio de Janeiro.

 

  1. “Luar de Prata”(Guilherme Arantes)

É uma experiência nova para mim: uma valsa brasileira clássica, dentro da tradição do piano brasileiro de Ernesto Nazareth (1863-1934). A melodia tem forte influência dos mestres Pixinguinha (1897-1973), Taiguara (1945-1996), Francis Hime e Chico Buarque, falando da passagem do tempo a partir do olhar da maturidade sobre a paixão amorosa. Com arranjo em piano, cravo Zuckermann e cordas, traz ainda a participação muito especial de Mônica Salmaso no canto. E ainda as clássicas flautas de tradições melódicas brasileiras de Teco Cardoso em um estilo Pixinguinha que homenageia um Brasil terno e delicado que resiste aos tempos modernos.

 

  1. “Sob o Sol”(Guilherme Arantes)

A faixa mais roqueira deste repertório, seguindo uma estética já presente em meus álbuns Condição Humana (2013) e A Desordem dos Templários (2021), desta vez com um acento de bandas como o Led Zeppelin, Jethro Tull, Rush e muito de Peter Gabriel na fase solo. São referências seminais para mim. O guitarrista Luiz Sergio Carlini, o baixista Willy Verdaguer e o baterista Gabriel Martini dão o aspecto de “band rock” para esta faixa, que versa sobre o paradoxo da humanidade diante da realidade quântica do intra-universo em face do extra-universo de proporções descomunais, a natureza meramente energética de toda substância: somos elos numa corrente impossível de se compreender.

 

  1. “O Espelho”(Guilherme Arantes)

A canção teve, a princípio, o subtítulo “Dos Descartes”. Parte da figura humana diante do espelho, diante do próprio envelhecimento: o processo gradual de se acostumar à própria metamorfose sem jamais perceber a truculência do tempo. Há também a visão narcísica da autoimagem projetada como num espelho retrovisor, em que a vida e o mundo se tornam fugidios, voláteis, reduzindo-se a um nada na estrada da existência. Musicalmente, trata-se de um eletropop clássico, com influência mais evidente de Dave Stewart (Eurythmics) e Vince Clarke, meu ídolo total. Ambos são clássicos da música eletrônica mundial e nobres inspirações. Participam da gravação Gabriel Martini (bateria) e o guitarrista norte-americano Scott Ackley (aka Mark James), radicado em Nova Friburgo (RJ). Sua presença resgata um elo histórico e afetivo: no início dos anos 1980, Scott participou das gravações de “Deixa Chover” e “Planeta Água” e do meu álbum de 1982 (o que tem “O Melhor Vai Começar” e “Lance Legal”, entre outras), marcando com suas guitarras uma sonoridade clássica de hits na minha carreira.

 

  1. “Puro Sangue (Libelo do Perdão)”(Guilherme Arantes)

A única faixa em [ritmo] 6/8 do novo álbum é uma versão pessoal de uma composição escrita especialmente para Gal Costa (1945-2002) e lançada por ela em 2016, no álbum A Pele do Futuro. Na letra desta canção, também encomendada por Marcus Preto, é abordada a intolerância de costumes numa onda de radicalização da chamada “guerra cultural”, potencializada pelas redes sociais e expressa em anacronismos dogmáticos. O resultado é um poema em forma de manifesto. Trata-se, aliás, da canção mais antiga deste repertório. No arranjo desta nova versão, destacam-se o violoncelo de Mario Manga e o cravo (harpsichord) Zuckermann, modelo Double-Flemish Ruckers, executado por Guilherme.

 

  1. “Toda Felicidade”(Guilherme Arantes)

Canção foi lançada originalmente no álbum mais recente do Boca Livre, Rasgamundo (2024) e outra encomenda de Marcus Preto, produtor daquele trabalho. Esta minha versão tem contrabaixo acústico e bateria tocada com vassourinhas, imprimindo um delicado tom jazzístico de MPB a uma balada pianística de atmosfera onírica, cuja letra especula a possibilidade de um reatamento amoroso. A guitarra semiacústica de Alexandre Blanc remete, propositalmente, à sonoridade clássica de Barney Kessel (1923–2004), figura fundamental na formulação do estilo da bossa nova nos anos 1950. Um fascínio irresistível para mim, que ainda era criança à época, sob o impacto da chegada de um movimento revolucionário que colocaria o Brasil no centro da moda musical mundial.

 

  1. “50 Anos-Luz”(Guilherme Arantes)

É a faixa de acento mais progressivo de todo o álbum: um tema instrumental de caráter épico, que destaca a banda de Guilherme – a mesma que estará nos palcos da turnê comemorativa que se aproxima e vai percorrer o Brasil em 2026. O importante da composição está na solução harmônica de tons “brasilianistas”, com influência de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), mesclada à natureza grandiloquente do rock progressivo. Essa síntese, aliás, aponta para uma das marcas centrais do álbum: o resgate da brasilidade na minha música, em uma dimensão recorrentemente afetiva, num mundo e num momento de descaracterização e padronização mundial, impulsionadas pela conectividade irreversível e dominante. Não por acaso, o álbum também busca esse mesmo espírito na dimensão visual. Recorremos à estética da azulejaria brasileira moderna como referência de design e estilo, presente nas artes gráficas e cerâmicas de Alexandre Mancini (Minas Gerais), como mote estético para criar as fotografias leves e profundamente brasileiras de Léo Aversa. Um Guilherme Arantes brasileiro.

 

  1. “Berceuse”(Guilherme Arantes)

Canção de ninar composta em 2021 especialmente para a interpretação de Alaíde Costa no álbum O que meus Calos Dizem sobre Mim (2022), produzido por Pupillo, Emicida e o amigo e produtor Marcus Preto. Foi uma experiência muito marcante para mim por conta da ternura do tema. Alaíde gravou com violão e outros instrumentos, já que a opção estética do álbum era não ter piano. No meu álbum, esta música vem embalada por meu piano e as cordas densas escritas e regidas por Jacques Morelenbaum, ao estilo de um “romantismo tardio fin-de-siècle” com fortes influências harmônicas do grande mestre Gabriel Faurè, uma paixão absoluta para um compositor romântico. Por fim, com o resultado magistral do arranjo de Jacques Morelenbaum, a referência mais forte nessa faixa acaba sendo a obra-prima “Água e Vinho” de Egberto Gismonti: um marco na vida do Guilherme nos tempos da FAU-USP.

 

  1. “O Prazer de Viver para Mim É Você”– instrumental (Guilherme Arantes)

Encerrando o álbum, resolvi publicar uma versão “cinematográfica” da melodia “O Prazer de Viver para Mim É Você”, em que o ingrediente principal passa a ser o tempo. Um tempo que nos maltrata e aprisiona, mas que pode ser transformado por nós em uma dimensão fluida, propositalmente lenta, em oposição à pressa onipresente do mundo. A intenção é criar uma atmosfera de sonho e devaneio, à semelhança dos temas pianísticos do chamado “cinema de arte” (especialmente o europeu), reflexivo e intenso na emoção, uma moda maravilhosa da arte mundial que tanto marcou minha adolescência nos anos 60 e 70. A faixa encerra o disco como um último delírio, uma epifania de amor, a saudade de um futuro que um dia se pintou no imaginário de um mundo talvez impossível, mas incontornável na nossa emoção de viver.

 

Lançamento: Coaxo do Sapo/Virgin Music

 

Turnê “50 Anos-Luz”

Ingressos: www.50anosluz.com

 

07/03/26 – São Paulo/SP – Espaço Unimed

14/03/26 – Rio de Janeiro/RJ – Vivo Rio

21/03/26 – Curitiba/PR – Teatro Positivo

11/04/26 – Recife/PE – Teatro Guararapes

18/04/26 – Belo Horizonte/MG – Minascentro

25/04/26 – Porto Alegre/RS – Araujo Viana

09/05/26 – Ribeirão Preto/SP – Multiplan Hall

15/05/26 – Belém/PA – Assembléia Paraense

16/05/26 – Manaus/AM – Studio 5

22/05/26 – Vitória/ES – Espaço Patrick Ribeiro

23/05/26 – Brasília/DF – Centro de Convenções Ulysses Guimarães

30/05/26 – Santos/SP – Convention Center

 

www.guilhermearantes.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações: Bebel Prates Assessoria de Comunicação

#SIGA NO INSTAGRAM
Em 14/01/1985, há exatamente 41 anos atrás era lançado 3° álbum de estúdio do cantor e compositor John Fogerty @johnfogerty "Centerfield".

Track Listing:

1. The Old Man Down the Road - John Fogerty (3.33)
2. Rock and Roll Girls - John Fogerty (3.26)
3. Big Train from Memphis - John Fogerty (2.58)
4. I Saw It On TV - John Fogerty (4.2)
5. Mr. Greed - John Fogerty (4.09)
6. Searchlight - John Fogerty (4.28)
7. Centerfield - John Fogerty (3.51)
8. I Can't Help Myself - John Fogerty (3.13)
9. Vanz Kant Danz - John Fogerty (5.3)

#johnfogerty #centerfield #boomerangmusic
Em 14/01/1980, há exatamente 46 anos atrás era lançado o 7° álbum de estúdio da banda Rush @rush "Permanent Weaves".

Line-up:

Geddy Lee (vocals, bass, keys)
Alex Lifeson (guitars)
Neil Peart (drums)

Track list:

	1.	The Spirit Of Radio
	2.	Freewill
	3.	Jacob’s Ladder
	4.	Entre Nous
	5.	Different Strings
	6.	Natural Science

#permanentwaves #rush #rushband #geddylee
Hoje, 14/01, é aniversário do guitarrista da banda Black Label Society, Mr. Zakk Wylde @zakkwyldebls que completa 59 anos.

#zakkwylde #happybirthday #boomerangmusic
Hoje, 14/01, é aniversário do cantor, compositor e vocalista da banda Foo Fighters @foofighters Dave Grohl que completa 57 anos.

Foi baterista da banda Nirvana

#davegrohl #happybirthday #boomerangmusic
Em 13/01/1984, há exatamente 42 anos atrás era lançado o terceiro álbum de estúdio da banda The Pretenders @thepretendershq "Learning To Crawl"

The Pretenders

Chrissie Hynde – lead vocals (all but "Fast or Slow" and "Ramblin' Rob"), rhythm guitars, harmonica [uncredited], backing vocals

Robbie McIntosh – lead and rhythm guitars, backing vocals

Malcolm Foster – bass guitar, backing vocals

Martin Chambers – drums, backing vocals, lead vocals on "Fast or Slow", percussion

Tracklist

1. Middle Of The Road

2 Back On The Chain Gang

3 Time The Avenger

4 Watching The Clothes

5 Show Me

6 Thumbelina

7 My City Was Gone

8 Thin Line Between Love And Hate

9 I Hurt You

10 2000 Miles

#thepretenders #learningtocrawl #boomerangmusic
Em janeiro de 1985, há exatamente 41 anos era lançado o filme "Tuff Tuff - o Rebelde", filme de ação/comédia com James Spader e Robert Downey Jr. 

Classico Sessão da Tarde, dirigido por Fritz Kiersch.

#tufftuff #boomerangmusic
Em janeiro de 1985, há exatamente 41 anos era lançado o filme "Tuff Tuff - o Rebelde", filme de ação/comédia com James Spader e Robert Downey Jr. 

Classico Sessão da Tarde, dirigido por Fritz Kiersch.

#tufftuff #boomerangmusic
Hoje, 12/01, é aniversário rapper, compositor Zack de La Rocha @thezackdelarocha que completa 56 anos.

Vocalista da banda Rage Against The Machine @rageagainstthemachine 

#zackdelarocha #happybirthday #boomerangmusic