Loulu Gilberto apresenta primeiro álbum e revisita o universo musical de João Gilberto
Confira: https://SMB.lnk.to/LouluGilberto
Assista “Manias”: https://www.youtube.com/watch?v=7T5PORIQ3cc
YouTube: https://www.youtube.com/@LouluGilbertoVEVO
Em seu disco de estreia, a cantora Loulu Gilberto se inspira no universo artístico do pai, João Gilberto (1931-2019). Aos 21 anos, ela grava canções que envolvem a memória paterna e o aprendizado musical na infância, os pontos de partida de seu canto. Ainda pequena, Loulu foi acompanhada inúmeras vezes pelo violão de João, seu primeiro mestre.
O álbum “Loulu Gilberto” (Sony), que chega em maio às plataformas digitais, com produção musical de Cézar Mendes e Mario Adnet, vai além do tributo a João, o definidor da batida da bossa nova, e ilumina a modernidade da tradição musical brasileira e americana, ao englobar o samba, o jazz, o samba-canção, cantigas de ninar e “Qui Nem Jiló”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, um clássico do baião admirado por João.
“Manias” (Flavio Cavalcanti/Celso Cavalcanti), gravada por Dolores Duran em 1955, está entre os destaques do disco, enfatizando o elo de Loulu com o samba-canção. “É uma canção-cinema. Me provoca imagens vivas”, diz a cantora. A inédita “O Amor nos Encontrou” recupera uma obra guardada da parceria entre Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli (antes deste primeiro registro em estúdio, havia apenas uma gravação privada de João). A canção exalta um enlace amoroso radiante, fiel à estética da bossa nova.
O repertório reflete a intimidade de Loulu com a tradição e a obra do pai, como testemunha precoce de suas brincadeiras com as canções, na órbita privada. O disco reúne músicas aprendidas muito cedo em casa, a exemplo dos standards “Tea for Two” (Irving Caesar/Vincent Youmans) e “Mr. Sandman” (Pat Ballard), ou de “Joujoux e Balangandãs” (Lamartine Babo), “Cuidado com o Andor” (Mario Lago/Marino Pinto) e “Dorme Que Eu Velo por Ti” (Mário Rossi/Roberto Martins).
Outras canções do disco de Loulu foram escolhidas a partir de uma pesquisa de gravações raras de João Gilberto descobertas na internet ou registradas por amigos e familiares, como “O Amor Nos Encontrou”, “Qui Nem Jiló”, “Manias”, “Duas Contas” (Garoto) e “Beija-me” (Mário Rossi/Roberto Martins). “Essas músicas estão num lugar da minha memória. Ele cantava e eu ouvia. Quando encontrei as gravações, para montar o repertório, soaram familiares”.
A evocação da infância fica ainda mais forte com as cantigas populares “Cavalo-Marinho” e “Bicho Curutú”, entoadas pelo pai à beira de sua cama, para niná-la. É o momento em que entrega dois fragmentos do afeto paterno. Loulu conta que a segunda cantiga contém palavras originais de João em torno de motivos folclóricos da Bahia.
“Avarandado” (Caetano Veloso) pontua a admiração de Loulu pelo álbum “Domingo” (1967), de Gal Costa e Caetano, os dois fiéis discípulos de seu pai. Por sua vez, ao cantar “João”, de Cezar Mendes e Arnaldo Antunes, abre o disco com uma bela tradução poética da arte de João Gilberto (“Como se a rotação da terra fosse então/ Essa voz e esse violão”). O resultado é um mergulho lírico na atmosfera musical que a levou a amar canções e desejar ser cantora. “Se meu mundo tivesse um som, seria o som desse disco”, ela diz.
“Uma vez que eu tinha decidido cantar, não podia partir de outro lugar. É o lugar que formou meu imaginário, formou minha cabeça. Essas canções estão num lugar muito particular da minha cabeça, que tem imagens muito vivas que elas provocam. Eu lembro de cantar ‘Cuidado com o Andor’ em casa. Aquelas palavras me fascinavam”, afirma Loulu.
Tom Veloso, em “Avarandado”, Daniel Jobim (piano), em “Tea for Two”, e Maria Carvalhosa, em “Joujoux e Balangandãs”, são as participações especiais do disco.
Nascida em 2004, filha de João com a jornalista Cláudia Faissol, a carioca Luísa Carolina Gilberto (Loulu) perdeu o pai aos 15 anos, mas toda uma sensibilidade musical já havia sido estimulada pelo seu mestre maior. “Quando ele faleceu, parei de cantar. Porque eu cantava com ele. E aquilo foi me fazendo uma falta tremenda. Pouco tempo antes de falecer, ele me levou ao Cezinha Mendes, porque queria que eu fizesse aula de violão. Eu não queria aprender violão de jeito nenhum.”
A morte do pai, em 2019, interrompeu a sua rotina musical, mas essa pausa não durou tanto. Pouco tempo depois, no Rio de Janeiro, ela procurou o violonista e compositor Cézar Mendes (Grammy Latino 2021), professor de violão que lhe encaminhou a uma professora de canto. Indo além, Mendes repetiu os antigos treinos de Loulu com o pai, passando a acompanhá-la com o violão na mesma sala de visita em que João a apresentou como futura cantora, dois anos antes.
“Um dia, Loulu me procurou dizendo que queria cantar. Ela não queria aprender violão. Mais perto do disco, começou a tocar. Eu não a via desde quando apareceu em minha casa com João. Depois, tivemos a ideia do disco e convidamos Mario Adnet para pensar os arranjos. Eu e Mario sugerimos canções para o repertório, mas Loulu negou várias sugestões e escolheu tudo. A base são as canções ensinadas pelo pai”, conta Cézar Mendes.
O disco “Loulu Gilberto” marca o reencontro da filha mais nova de João Gilberto com a música de sua infância e com a vocação que o pai reconhecia nela. “Minha decisão de cantar foi complicada. Meu pai e minha mãe queriam muito que eu fosse cantora. Há filmagem de meu pai falando: ‘Ela vai ser cantora na América. Eles vão amar você’”, lembra Loulu. “Ele me ensinou todas as canções que gravou, todos os clássicos. E começou a ensinar sambas antigos jamais gravados. Ele falava: ‘Estou te dando um presente. Você não sabe que é presente, mas é presente. É presente para você’”.
“Sempre cantava com ele. Foi um treinamento incrível. Ele foi me treinando sem treinar, sem dizer que estava treinando. Ele ensinava uma música, tocava lá mil vezes e falava: ‘Canta comigo’. Às vezes eu chegava e falava: ‘Posso cantar?’. Minha mãe sempre fazia muita força: ‘Você tem que ir lá aprender com o seu pai’. Eu ficava fazendo birra.”
A convite de Mendes, Mario Adnet dividiu a produção musical do álbum, contribuiu com a pesquisa de repertório e preparou os arranjos. A cantora demonstrou maturidade no processo de concepção do disco, que representou a sua primeira experiência com um microfone em estúdio.
“Foi um trabalho danado de pesquisa, de ouvir músicas, descobrir coisas no YouTube. Muito trabalho de conceito, de pensamento”, explica Mario Adnet, vencedor de 2 Grammys Latinos e 8 Prêmios da Música Brasileira. “Para ela, foi um conforto grande voltar a aprender com o pai que não está mais aí, mas segue presente nas gravações. Ela tem esse pai. E tem uma memória do treinamento dele. O pai deve estar vivo nessas músicas todas. Procurei fazer um violão diversificado, diferente a cada faixa, para esse primeiro disco de Loulu. É um disco sofisticado. Acho que ficou uma homenagem à altura do pai”.

Na pesquisa sonora, Loulu regressou aos Anjos do Inferno, grupo dos anos 1930 e 1940 muito ouvido por seu pai nos alto-falantes de Juazeiro, na Bahia. Como referências vocais, ela reconhece não só João, mas também cantores surgidos entre as décadas de 1930 e 1960, como Orlando Silva, Dolores Duran, Lúcio Alves, Doris Monteiro, Sylvia Telles, Nara Leão e Astrud Gilberto.
Com voz suave, consciente das divisões joãogilbertianas, ela redescobriu belezas do cancioneiro do passado, que ainda hoje soam modernas. As orquestrações de Adnet – as cordas foram gravadas pela St Petersburg Estudio Orchestra – dialogam também com a sutileza dos arranjos de discos de João.
Numa estreia madura, Loulu apresenta em 13 faixas seu compromisso com a modernidade atemporal da canção popular. Suas performances vocais são solares e lúdicas, filiadas à exatidão e à leveza de João, sempre com uma personalidade bem definida.
“Esse cancioneiro ficou num lugar muito especial da minha cabeça. Eu lembrava das músicas, mas não não exercitava aquilo. Ficou guardado até que a gente começou a falar em disco. Ressurgiu. Algumas vieram de um lugar inconsciente, como o ‘Dorme Que eu Velo por Ti’. Quando ouvi essa canção no YouTube, aquilo imediatamente me remeteu a uma certa musicalidade. Me remeteu a uma canção que eu nem sabia que eu sabia, mas sabia.”
Com o álbum de estreia, a cantora passa adiante o presente recebido do pai.
O projeto gráfico de “Loulu Gilberto” é assinado por Cecília Carvalhosa, com fotografias de Bob Wolfenson e figurino de Marina Franco. A direção criativa é de João Paulo Daniel e Cecília Carvalhosa. A direção do projeto audiovisual tem a assinatura do cineasta e produtor João Paulo Daniel. O disco é um lançamento da Sony.
release acima por Claudio Leal
Com informações: Assessoria de Imprensa – Sony Music / Perfexx Assessoria