abril 21, 2026
O cantor e compositor Tom Zé subiu ao palco do Sesc Belenzinho na terça-feira,21/04, feriado de Tiradentes, com o show Benditos Imigrantes.
Release abaixo por Tom Zé
O Belenzinho e toda a Grande São Paulo mostram em suas fábricas e casas as impressões digitais dos povos de tantas nações que para aqui vieram. Juntaram-se aos imigrantes do Nordeste e do interior do estado.
Benditos trabalhadores, que precisavam de teto e alimento. Minhas canções sempre cantaram o meu entorno. (Quando cantam “A Volta do Trem das Onze”, por exemplo, lembram o dialeto ítalo-paulistano de Adoniram Barbosa e sua invenção linguística.)
No Belenzinho, a imigração italiana contribuiu com gastronomia e linguagem. Mesclou-se à vinda e à vida de portugueses, espanhóis, das gentes da Ásia – chineses, japoneses, coreanos. Sem esquecer a África. Impossível esquecer a África, que está em nós.
Neste show, eu nordestino também migrante, recorro a um repertório influenciado pela imigração. De Por um Êxodo. Não estou falando, é claro, do livro da Bíblia, mas de histórias de gente sobrevivendo e ajudando a construir um País jovem, este Brasil.
Vamos percorrer acontecimentos deles e nossos, cantando Nave Maria, Augusta, Angélica e Consolação… E Jim, Renda-se, em que invento outro dialeto, destes tempos concretistas, e que foi parar no filme ganhador do Oscar de 2025 – Ainda Estou Aqui.
Vejam vocês! Saí de Irará. Bahia, para ser paulistano. É nessa condição que estou nesse show. Acompanhado de minha banda, cujos avós e pais e avós vieram das Alagoas, do Líbano, do Piauí, de aldeia indígena. Tocando instrumentos modernos, mas cuja origem se perde no tempo. E os craques instrumentais são: Daniel Maia, guitarra e voz; Cristina Carneiro, teclados e voz; Fábio Alves, bateria; Andreia Dias, voz – e que voz, pessoal!
Minha música fala da diversificação desta cidade, e ela canta a pluralidade de vocês, plateia, de todos nós. Aqui perto existem bairro e rua chamados Mooca, termo indígena que significa construção de casa ou a própria habitação, chamado de Oca.
E eu, como tropicalista, sou arraigadamente brasileiro e comemoro a nossa bela união de origens. O Outro é meu amigo. Benditos imigrantes somos aqui. Cantando e dançando juntos, no palco do Sesc Belenzinho, a multiplicidade de São Paulo.
(E por que não cantar:)
O imigrante chegou
E logo se apaixonou
Com o que o rodeava:
O Belenzinho, com todo o brio,
No seu trabalho febril,
Dá riquezas expressivas
Não só para São Paulo
Mas para todo o Brasil.
TRACKLIST
Fotos: Van Campos / Parceiro Boomerang Music
Agradecimentos: Assessoria de Imprensa SESC Belenzinho