O retorno do Nevermore aos palcos brasileiros ganhou contornos quase históricos na noite de 28 de abril, no Carioca Club. Mais do que um show, a apresentação marcou o reencontro de uma das bandas mais cultuadas do metal moderno com um público que, por anos, lidou com a ausência e com o peso da memória.
Liderados por Jeff Loomis e Van Williams, os pilares criativos do grupo, o Nevermore subiu ao palco com uma formação renovada e uma missão delicada: honrar o legado construído ao lado de Warrel Dane sem soar preso ao passado. E conseguiu.
Desde os primeiros acordes, ficou evidente que não se tratava de um exercício de nostalgia. A banda soava afiada, técnica e visceral — características que sempre definiram sua identidade. Loomis, como esperado, foi um espetáculo à parte, conduzindo riffs e solos com precisão cirúrgica, enquanto Van Williams imprimia peso e dinâmica com naturalidade impressionante.
A maior incógnita da noite, no entanto, recaía sobre o vocalista Berzan Önen — e ele respondeu com personalidade. Sem tentar imitar Dane, Berzan encontrou um equilíbrio interessante entre reverência e identidade própria. Em clássicos como “The River Dragon Has Come” e “The Heart Collector”, sua interpretação trouxe emoção suficiente para conquistar o público, sem descaracterizar as composições.
O repertório funcionou como uma ponte entre eras. Faixas emblemáticas de álbuns como Dead Heart in a Dead World e This Godless Endeavor foram recebidas com entusiasmo quase catártico, enquanto trechos inéditos — ainda em processo de lapidação, segundo a própria banda — apontaram para um futuro promissor. Há peso, há complexidade, mas também uma sensação de renovação que evita qualquer acomodação.
Esse novo momento do Nevermore, agora respaldado pela parceria com a Reigning Phoenix Music, ficou evidente não só na execução musical, mas na postura. A banda parece confortável em sua própria história, mas motivada a expandi-la. Não há pressa, mas há propósito.
O público paulistano, conhecido por sua exigência, respondeu à altura. O Carioca Club pulsava a cada riff, a cada virada de bateria, a cada refrão entoado em uníssono. Era, ao mesmo tempo, celebração e validação: o Nevermore ainda faz sentido — e talvez mais do que nunca.
Ao final, ficou a impressão de que o grupo não voltou apenas para revisitar o passado, mas para reescrever sua trajetória. Mais maduro, mais consciente e ainda intensamente pesado, o Nevermore prova que algumas chamas não se apagam — apenas aguardam o momento certo para voltar a incendiar tudo ao redor.
Fotos: Leandro Almeida / Parceiro Boomerang Music
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Agradecimentos: Franke Comunicação