maio 31, 2026
Poucas bandas brasileiras conseguem transformar um show em algo que parece simultaneamente um espetáculo musical, uma peça de teatro experimental, uma celebração coletiva e uma brincadeira entre amigos. O Karnak provou mais uma vez essa capacidade nos dias 30 e 31 de maio, no histórico Sesc Pompeia, em apresentações que reafirmaram o caráter único do grupo criado por André Abujamra.
O clima era de reencontro. O público reunia fãs de longa data, que acompanham a banda desde os anos 1990, e curiosos atraídos pela recente valorização da obra do grupo, impulsionada pelo lançamento do álbum ao vivo registrado no próprio Sesc em 1999. A atmosfera era festiva antes mesmo do início do show.
No palco, o Karnak manteve sua característica principal: a recusa em se encaixar em qualquer definição simples. A cada música, ritmos balcânicos, rock, música brasileira, fanfarras, referências orientais e humor surrealista apareciam e desapareciam sem aviso. O resultado foi uma apresentação vibrante, caótica na medida certa e tecnicamente afiada.
A abertura com “Abertura Russa” já estabeleceu o tom da noite, evocando uma das marcas registradas da banda: a invenção de idiomas e universos próprios. Em seguida vieram clássicos como “Estamos Adorando Tókio”, “Universo Umbigo”, “O Indivíduo” e “Juvenar”, recebidos com entusiasmo pelo público, que cantava trechos inteiros das músicas.
O grande mérito do show foi mostrar como o repertório do Karnak envelheceu bem. Canções que pareciam excêntricas há duas décadas hoje soam quase proféticas em sua defesa da diversidade cultural, da imaginação e da liberdade criativa. O grupo segue irreverente, mas sem depender apenas da nostalgia: as músicas continuam vivas, pulsantes e surpreendentes.
Mais do que um concerto, as apresentações dos dias 30 e 31 de maio foram uma celebração da trajetória de uma das bandas mais inventivas da música brasileira. Ao final, ficou a sensação de que o Karnak continua ocupando um espaço que ninguém mais conseguiu preencher.
Integrantes – Karnak
Setlist
30 de maio
Em síntese, os dois shows confirmaram que o Karnak continua sendo uma experiência rara: uma banda capaz de soar tão absurda quanto sofisticada, tão divertida quanto musicalmente ambiciosa. Trinta anos depois, o grupo ainda consegue fazer do palco um território de invenção permanente.
Fotos: Van Campos / Parceiro Boomerang Music
Agradecimentos: Assessoria de Imprensa SESC Pompéia