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	<title>Osesp &#8211; Boomerang Music</title>
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		<title>Osesp lança novo álbum da série A Música do Brasil &#8211; Choros nº 2, de Camargo Guarnieri</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Cunha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 May 2022 22:03:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Osesp]]></category>
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					<description><![CDATA[A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo &#8212; Osesp acaba de lançar mais um álbum da série A Música do Brasil, que faz parte do projeto Brasil em Concerto, uma realização do selo Naxos Brasil com o Departamento de Difusão Cultural do Ministério das...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo &#8212; Osesp</strong> acaba de lançar mais um álbum da série <em>A Música do Brasil</em>, que faz parte do projeto <em>Brasil em Concerto</em>, uma realização do selo Naxos Brasil com o Departamento de Difusão Cultural do Ministério das Relações Exteriores.</p>
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<p>O álbum <em>Choros nº 2 / Flor de Tremembé</em> é o segundo volume da primeira gravação integral dos Choros do compositor paulista Mozart Camargo Guarnieri, e reúne as peças da série escritas para clarinete, viola, violoncelo e piano. Como bônus, o álbum inclui <em>Flor de Tremembé</em>, composta nos anos 1940 para 15 solistas e percussão. Gravado na Sala São Paulo em 2019, o trabalho apresenta a Osesp regida por Roberto Tibiriçá e com participação dos solistas Ovanir Buosi (clarinete), Horácio Schaefer (viola) e Olga Kopylova (piano), integrantes da Orquestra, e de Matias de Oliveira Pinto (violoncelo), especialmente convidado para o projeto.</p>
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<p>A seleção de obras oferece um rico panorama da criação de Camargo Guarnieri, que nasceu em Tietê, no interior de São Paulo, em 1907, e morreu na capital paulista em 1993, marcando seu nome como um dos mais influentes músicos brasileiros do século XX. O álbum <em>Choros nº 2 / Flor de Tremembé</em> pode ser encontrado em edição física na <strong><a href="https://s2205.enviosinbound.com/link.php?code=bDpodHRwcyUzQSUyRiUyRmxvamFjbGFzc2ljb3MuY29tLmJyJTJGOjI2NjM1MzYwMzk6cmVkYWNhb0Bib29tZXJhbmdtdXNpYy5jb20uYnI6OTI2M2Ji">Loja Clássicos</a></strong>, que está localizada dentro da Sala São Paulo, e em edição digital disponível nas mais diversas <strong><a href="https://s2205.enviosinbound.com/link.php?code=bDpodHRwcyUzQSUyRiUyRm5heG9zLmxuay50byUyRjg1NzQ0MDNOYSUyMXByb2R1Y3RfcGFnZToyNjYzNTM2MDM5OnJlZGFjYW9AYm9vbWVyYW5nbXVzaWMuY29tLmJyOjM1ZjUwZA==">plataformas de streaming</a></strong>.</p>
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<p><strong>Sobre a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo &#8212; Osesp</strong></p>
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<p>Criada em 1954, é uma das mais importantes orquestras da América Latina e desde 1999 tem a Sala São Paulo como sede. O suíço Thierry Fischer é seu Diretor Musical e Regente Titular desde 2020, tendo sido precedido, de 2012 a 2019, pela norte-americana Marin Alsop, que agora é Regente de Honra. Em 2016, a Osesp esteve nos principais festivais da Europa e, em 2019, realizou turnê pela China. No mesmo ano, estreou projeto em parceria com o Carnegie Hall, com a <em>Nona Sinfonia</em> de Beethoven cantada ineditamente em português. Em 2018, a gravação das Sinfonias de Villa-Lobos, regidas por Isaac Karabtchevsky, recebeu o Grande Prêmio da Revista Concerto e o Prêmio da Música Brasileira.</p>
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<p><strong>Sobre a série <em>A Música do Brasil</em></strong></p>
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<p>A série <em>A Música do Brasil</em> faz parte do projeto <em>Brasil em Concerto</em>, desenvolvido pelo Ministério das Relações Exteriores com o intuito de promover a música de compositores brasileiros criada a partir do século XVIII. Cerca de 100 trabalhos orquestrais dos séculos XIX e XX serão gravados pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo &#8212; Osesp e as Filarmônicas de Minas Gerais e de Goiás. Álbuns de música coral e de câmara serão gradualmente adicionados à coleção. Os trabalhos foram selecionados de acordo com sua importância histórica para a música brasileira e a pré-existência de gravações. A maior parte das obras registradas para a série nunca esteve disponível em fonogramas fora do Brasil; muitas outras terão sua estreia mundial em álbuns. Uma parte importante do projeto é a preparação de novas ou primeiras edições dos trabalhos que serão gravados, muitos dos quais, apesar de sua relevância, só estavam disponíveis no manuscrito do compositor. Este trabalho é feito pela Academia Brasileira de Música e por musicólogos trabalhando em parceria com as orquestras.</p>
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<p><em>[Texto de Paulo de Tarso Salles presente no encarte do álbum]</em></p>
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<p><strong>Camargo Guarnieri (1907&#8211;1993)</strong><br />
<strong><em>Choros • 2</em></strong></p>
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<p>Este é o segundo volume da primeira gravação integral dos Choros de Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), com o <em>Choro para Clarinete e Orquestra</em> (1956), o <em>Choro para Viola e Orquestra</em> (1975), o <em>Choro para Violoncelo e Orquestra</em> (1961) e o <em>Choro para Piano e Orquestra</em> (1956).</p>
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<p>Como o compositor explicou diversas vezes, o termo “choro” não evoca diretamente o gênero de música instrumental popular, surgido no Brasil e consolidado no final do século XIX. Guarnieri pretendeu que esse termo fosse uma espécie de expressão brasileira do gênero “concerto”, provavelmente referindo-se ao diálogo entre solista e orquestra em uma ambientação musical que, muitas vezes, sugere a paisagem sonora dos sertões, dos cerrados, das festas e folguedos que caracterizam o sentimento de “brasilidade”.</p>
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<p>Os quatro <em>Choros</em> têm características formais em comum: todos são divididos em três movimentos &#8212; ou em três partes, como o <em>Choro para Clarinete</em>, estruturado em um único movimento tripartido. Grosso modo, os primeiros movimentos são mais “racionais”, com grande densidade cromática e ênfase no desenvolvimento motívico, onde as melodias germinam a partir de uma pequena célula musical, burilada em diversas cores e combinações instrumentais &#8212; essa, aliás, é uma das características de Guarnieri mais apreciadas por Mário de Andrade, seu mentor desde 1928, amizade e orientações iniciadas alguns anos depois que o então jovem músico veio morar em São Paulo (em 1923), deixando para trás sua cidade natal, Tietê.</p>
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<p>Os segundos movimentos são introspectivos e sentimentais, batizados com expressões características como “calmo e triste”, ou simplesmente “calmo”, ou ainda “lento e nostálgico” ou “nostálgico”. Como os títulos deixam entrever, a delicadeza e nostalgia que emanam dessas peças lentas evocam estados de espírito que se manifestam especialmente quando ficamos algum tempo longe de casa, de nosso lugar no mundo. Talvez por isso, a estrutura psicológica dos choros de Guarnieri reserva uma grande “festa” para o movimento final, como se representasse um reencontro imaginário entre o artista e os sentimentos mais profundos de sua nacionalidade; os finales de Guarnieri invariavelmente evocam a gestualidade da dança, do baião, do maracatu, da embolada, pontuada pela marcação calorosa da percussão e mudanças métricas que dão aos intérpretes espaço para mostrar uma alegria que transcende as imensas dificuldades técnicas presentes nessas partituras.</p>
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<p>Quanto ao estilo de cada um desses choros, pode-se dizer que as peças em que solam o clarinete, o piano e o violoncelo guardam alguns elementos em comum, notadamente com relação a sua estrutura harmônica e formal. São obras que a célebre pianista e uma das principais intérpretes guarnierianas, Laís de Souza Brasil (em um estudo sobre as obras para piano e orquestra, organizado pelo musicólogo Flavio Silva no opulento volume <em>Camargo Guarnieri: o Tempo e a Música</em>, 2001), classificou como pertencentes ao “segundo estágio” criativo de Guarnieri, um período de maturidade iniciado em 1946, em que o compositor visitou todos os gêneros musicais, dominou a orquestra, expandiu sua técnica e firmou sua personalidade. Nessas obras vemos o convívio entre harmonias quartais e triádicas, que se esparramam em uma escrita contrapontística sempre elegante e inventiva. Em contraposição, o <em>Choro para Viola e Orquestra</em> se insere no universo entrevisto no “terceiro estágio” criativo iniciado pela <em>Seresta para Piano e Orquestra</em> (1965) e no <em>Choro para Flauta e Orquestra de Câmara</em> (1972), ambos registrados no primeiro volume desta coleção; nessa época o compositor atinge uma expressão mais sublimada, deixando o fluxo de suas ideias ir além das convenções tonais &#8212; às vezes até com alusão ao método dodecafônico.</p>
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<p>A outra pérola desse álbum, a saborosa <em>Flor de Tremembé</em> (1937), foi uma peça dedicada à segunda esposa de Guarnieri, Anita Queiroz de Almeida e Silva, nascida em Tremembé, na região do Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo. Essa obra tem muitas características encontradas no choro popular tradicional; seu tema inicial em Mi menor, tocado pelo fagote com apoio de reco-reco e chocalho, evoca a um só tempo duas obras icônicas do grande Villa-Lobos: a harmonia inicial do singelo <em>Choros nº 1</em> para violão e o solo de contrafagote com marcação rítmica de caracaxá, que abre o grandioso <em>Choros nº 8</em>. A partitura de <em>Flor de Tremembé</em> consiste em um conjunto inusitado de 15 instrumentos solistas: flauta, clarinete, fagote, sax barítono, trompa, trompete, trombone, cavaquinho, harpa, piano, violino I, violino II, viola, violoncelo e piano; a percussão inclui quatro instrumentos: chocalho, reco-reco, agogô e cuíca. Essa peça pertence ao “primeiro estágio” criativo de Guarnieri, e foi escrita um pouco antes de sua primeira viagem a Paris em 1938.</p>
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<p><strong>Paulo de Tarso Salles</strong></p>
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<p>[Professor de Teoria Musical na USP, Coordenador do Simpósio Villa-Lobos (USP) e editor da Revista Música (USP). Autor de <em>Aberturas e Impasses: o Pós-Moderno na Música e seus Reflexos no Brasil &#8212; 1970-1980</em> (ed. Unesp, 2005), <em>Villa-Lobos: Processos Composicionais</em> (ed. Unicamp, 2009) e <em>Os Quartetos de Cordas de Villa-Lobos: Forma e Função</em> (Edusp, 2018)]</p>
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<p><strong>A Osesp e a Sala São Paulo são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.</strong></p>
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<p><strong>Com informações: Fundação Osesp | Fabio Rigobelo</strong></p>
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