maio 05, 2026
A Catarse Musical de Gabriel Leone: Emoção, Arrepio e a Celebração da MPB em “Minhas Lágrimas”
Conhecido do grande público por suas atuações magnéticas nas telas, Gabriel Leone provou que sua veia artística vai muito além da dramaturgia. No dia 5 de maio, o palco do Teatro Raul Cortez, no Sesc 14 Bis, foi testemunha de uma estreia arrebatadora. Com a turnê de seu primeiro projeto musical, Minhas Lágrimas, Leone despiu-se dos personagens para assumir, com maestria, o papel de um intérprete denso e visceralmente apaixonado pela música brasileira.
O show cumpre exatamente a premissa de seu título e da visão do artista. Desde os primeiros acordes, ficou claro que a apresentação não seria apenas um desfile de canções, mas uma imersão em sentimentos profundos. Leone utiliza toda a sua bagagem cênica a favor da música, entregando uma força interpretativa que busca — e alcança — o arrepio do público como principal métrica de sucesso. A proposta de transbordar o amor pela MPB em todas as suas nuances converte o espetáculo em uma verdadeira experiência de catarse coletiva, guiada pelas dores e intensidades do amor.
A curadoria do repertório foi um acerto à parte. Fugindo dos caminhos mais óbvios, o artista mergulhou em joias menos exploradas de gigantes da nossa música. As releituras de faixas como “Segredo” (Djavan), “Nós dois” (Celso Adolfo) e a faixa-título “Minhas lágrimas” (Caetano Veloso), ao lado de interpretações inéditas como “Quem há de dizer” (Lupicínio Rodrigues) e “Vento no litoral” (Renato Russo), ganharam novas e dramáticas camadas sonoras.
O quarteto formado por Fabio Sá (baixo), Agenor de Lorenzi (teclados), Vitor Cabral (bateria) e Conrado Goys (violão e guitarra) constroem uma sonoridade que transita com fluidez entre o delicado e o potente, servindo de base perfeita para que a dramaticidade do cantor brilhasse na medida certa.
Como se a carga emocional da noite já não fosse suficiente, a apresentação reservava um clímax irretocável: a participação do lendário Ney Matogrosso. O encontro de gerações no palco elevou a voltagem do teatro, chancelando de vez a entrada do jovem artista no panteão dos grandes intérpretes da atualidade.
Mais do que uma simples transição de carreira ou a realização de um sonho antigo, a estreia de Gabriel Leone é um trabalho feito com respeito palpável pela história da música nacional. Minhas Lágrimas é um convite irrecusável para sentir a arte de peito aberto.
Fotos: Van Campos / Boomerang Music
Agradecimentos: Assessoria de Imprensa SESC 14 BIS