Bel_Medula mergulha no inconsciente coletivo em terceiro álbum

‘Semente’ está disponível em todos os aplicativos de música

 

A multiartista Bel_Medula, nascida em Pelotas (RS) e baseada em Porto Alegre (POA), anuncia ao mundo a chegada do seu novo álbum de estúdio: Semente. O disco que já teve as faixas Os Ouvidos Têm Paredes, Dona Quixota e Coração de Papel disponibilizadas no mundo digital, divulga hoje o vídeo da música Teu, uma homenagem ao filho da artista, Gabriel. Ouça aqui e assista ao clipe aqui.

 

A era pandêmica trouxe ao mundo a urgência da comunicação inserida na tecnologia e ditou uma nova ordem de tempo-espaço. Guiada por essa energia, Isabel Nogueira deu vida ao seu terceiro trabalho de estúdio. Com elementos do cyberpunk ao electropop, suas letras trazem questionamentos necessários ao contexto que a sociedade enfrenta, explica Bel:

 

“Semente traz ao mesmo tempo a teia entre mulheres, que sigo articulando desde PeleOsso, traz o mergulho na ancestralidade e nas conexões além de mim, a partir de cânticos inventados onde drones se aproximam de mantras, e traz uma reflexão sobre as estruturas sociais, onde a escuta e o respeito às diferenças se fazem cada dia mais urgentes”.

 

Semeado entre lives online durante o isolamento social, o disco foi gravado e produzido pela dupla Bel e Luciano Zanatta. No time de músicos, o projeto contou com Lucas Giorgetta na bateria, João Pedro Cé na guitarra, Bruno Vargas no baixo e Luciano Zanatta no sax, sintetizador, samples, percussão eletrônica, guitarra e baixo. O filho de Isabel, Pedro Nogueira, fez sua estreia registrando as guitarras de Coração de Papel.

 

PeleOsso e Luna são os álbuns antecessores e dialogam com o novo trabalho que, por sua vez, marca o fim de um ciclo do projeto e o início de uma nova etapa. “Este disco tem raízes profundas em um inconsciente coletivo que é ao mesmo tempo marcado por construções sociais de gênero e arquétipos de diferentes faces de um feminino ancestral, plural, reinventado e ciborgue”, completa Bel.

 

Faixa a faixa 

 

Ritual, Ritual 2 e Ritual 3 são introduções construídas a partir de improvisos vocais com tom mântrico, divididas em três partes. “Pensei na faixa primeiro como uma abertura, que fizesse uma calibragem da escuta para entrar em sintonia com o espírito do álbum. Depois decidi separar em três unidades, funcionando como abertura, articulação dos dois momentos do álbum e fechamento”.

 

Dedinho de Pé narra o encontro do amor na simplicidade de viver e nos detalhes improváveis de uma rotina. Trabalhada em batidas intensas e groovadas, a música conta com a atmosfera do rock industrial, e é marcada por solos de guitarras e jam session de sintetizadores.

 

Dona Quixota já chegou ao mundo digital com um vídeo gravado durante o isolamento social. A música conta com dançantes arranjos de saxofone e discorre sobre os percalços de uma sociedade patriarcal que doutrina os corpos e mentes femininas desde seus primeiros dias de vida e as inserem em uma ciclo de repetições comportamentais retrógrados, sem incentivar questionamentos a respeito. “É como se fosse uma conversa do meu id com meu superego, trazendo o corpo de desejo e o gozo como redenção final”, completa a artista.

 

Toda Sangre foi inspirada por uma visita ao museu da Frida Kahlo no México. Um escrito de próprio punho com os dizeres “todo sangue chegará ao lugar de sua quietude” chamou a atenção da compositora, e a incentivou a construir melodias vocais  em compassos desacelerados que revelam uma atmosfera serena.

 

A canção escolhida para iniciar a divulgação do álbum nas plataformas de streaming foi Os Ouvidos Têm Parede. A faixa chegou com um videoclipe, fruto do início da parceria do artista Rieg Rodig com o projeto. O vídeo foi dirigido e produzido à distância por ele e figura uma linguagem que dialoga com o universo digital trash, e com o espírito punk da música.

 

Coração de Papel foi o terceiro single do álbum a ganhar clipe. Também dirigido e produzido pelo artista americano radicado em João Pessoa (PB), Rieg Rodig, a canção narra a plasticidade das relações humanas na era digital, embaladas por filtros e efeitos, e como isso se relaciona com a fragilidade de um coração de papel. A música nasceu de uma jam session entre Bel e Luciano e é a única do álbum com bateria acústica.

 

Escrita em tempos pré-pandemia, Bel faz uma homenagem ao seu filho Gabriel com a canção Teu. “Ela fala do tempo que sair para um passeio no bairro, tomar um sorvete e dar um rolê eram apenas coisas cotidianas e corriqueiras. Pensar nisto nestes tempos pandêmicos faz com que ela tenha para mim uma sensação ao mesmo tempo de leveza e nostalgia”, revela Isabel.

Sonora é embalada por uma linguagem característica do projeto: o improviso, que pode ser encontrado nas vozes e em arranjos instrumentais. Uma atmosfera mântrica conversa em diferentes camadas musicais na canção e te convida a viajar durante os cinco minutos da faixa.

 

Um poema de Bárbara Luz, recitado por Bel, marca o início da canção Te Dei o Mar. Melodias vocais flutuantes discorrem sobre desejo e amor de indivíduos dispostos a se aventurar na entrega de seu universo um ao outro.

 

Tudo Quieto Menos Dentro, é a décima primeira faixa e encerra o álbum em um campo energético harmonizado com linhas de baixo que dialogam com a melodia da voz. “A conversa entre a voz e o baixo registra movimentos mais livres e menos pontuados por um groove repetitivo, essa tarefa fica com os sintetizadores e samples. A letra fala daquela sensação de querer, quando se desperta no meio da noite pensando e desejando”, finaliza Bel.

 

 

OUÇA AQUI

 

FICHA TÉCNICA

 

Álbum

 

  1. Ritual
  2. Dedinho do Pé
  3. Dona Quixota
  4. Toda Sangre
  5. Os Ouvidos Têm Parede
  6. Ritual 2
  7. Coração de Papel
  8. Teu
  9. Sonora
  10. Te Dei o Mar
  11. Tudo Quieto Menos Dentro
  12. RItual 3

 

Isabel Nogueira – voz, sintetizadores, samplers, pedais.

Luciano Zanatta – sax, sintetizadores, samplers, percussão eletrônica, guitarra (Os Ouvidos Tem Parede, Dona Quixota), baixo (Os Ouvidos Tem parede, Dona Quixota).

Bruno Vargas – baixo

João Pedro Cé – guitarra (Dedinho do Pé, Toda Sangre, Teu, Sonora, Tudo Quieto Menos Dentro), MPC (Tudo Quieto Menos Dentro).

Lucas Giorgetta – bateria (Coração de Papel).

Pedro Nogueira – guitarra (Coração de Papel)

Gravação: Alexandre Birck e André Brasil (Estúdio Sangha) e Bel_Medula e Luciano Zanatta (Estúdio Mar de Tralhas). Bateria de Coração de Papel gravada por Beto Silva (Estúdio Marquise 51).

Mixagem: Luciano Zanatta (Estúdio Mar de Tralhas)

Masterização: Gilberto Ribeiro Júnior

 

Capa –  Arte: Alfamor

 

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SOBRE ISABEL NOGUEIRA

 

Isabel Nogueira é compositora, cantora, multiinstrumentista, produtora musical e musicóloga. Doutora em Musicologia pela Universidade Autônoma de Madrid, estuda piano desde a infância e, ao longo de sua trajetória, pesquisa as potencialidades da voz e dos sintetizadores na expressão artística. É professora da UFRGS e coordenadora do Grupo de Pesquisa Sônicas: Gênero, Corpo e Música (UFRGS).

 

Suas composições trazem diferentes visões sobre o “ser mulher” no mundo. Grooves, beats e ambiências se misturam a vozes sussurradas, cantadas e faladas, propondo mantras contemporâneos a partir da combinação de elementos sintéticos e orgânicos. Tem o projeto solo Bel_Medula, e o projeto Betamaxer, de música experimental. Lançou os trabalhos fonográficos “Vestígios Violeta” (2014), “Impermanente movimento”, “Voicing” e “Lusque-Fusque” (2016), “Mar de tralhas”, “Betamaxers”, “Légua”, “Meteoro-phoenix”, “Unlikely Objects” e “Hybrid” (2017),” Zah”, “Isama Noko”, “Wnyhum” e “Se eu fosse eu” (2018). Tem atuado em festivais no Brasil (Kinobeat, Musica Estranha, FIME) e em festivais no exterior (Live Arts Culture – Itália, Feminoise – Argentina), além de performances em espaços consagrados da música experimental, como a sala Spectrum (NY).

 

Em 2019 foi orientadora da residência artística para mulheres no Projeto Concha, na cidade de Porto Alegre com financiamento da Natura Musical, no mesmo ano, lançou o primeiro álbum do Bel_Medula, PeleOsso. Já no ano seguinte, foi a vez de Luna e para 2021 Isabel prepara o lançamento do terceiro álbum do projeto: Semente.

 

 

 

 

 

 

Com informações: Café 8 Assessoria de Imprensa