O Elevador lança terceiro disco: ouça Nada Para Num Instante

Álbum reflete os conflitos e ressurreições coletivas de um momento atípico em todo mundo

 

O ano era 2020. A banda O Elevador se preparava para montar um estúdio onde gravariam o terceiro álbum, mas aí veio a pandemia e o resto da história todo mundo já conhece. A atmosfera do ano que não aconteceu atingiu a todos, em escala mundial, e isso fez com que o grupo, formado por Thiago de Paula (guitarra), Alexandre Schafaschek (bateria), Gustavo Barbosa (voz e guitarra) e Thalison Moschetta (baixo) adiasse os seus planos. No entanto, através do apoio do edital de emergência da Fundação Cultural de Itajaí – Lei Aldir Blanc, o disco Nada Para Num Instante, acabou nascendo, em meio à solidão dos integrantes, cada um no seu universo.

 

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O pontapé inicial do disco foi dado por Thiago, que fez as bases da maioria das músicas no local onde seria o estúdio da banda. “Morei lá sozinho, durante os meses de Abril e Julho. Após esse período, voltei pra casa onde continuei produzindo e compondo letras. Em Novembro inscrevemos o álbum no edital de emergência da Fundação Cultural de Itajaí – Lei Aldir Blanc, e depois que fomos contemplados, começamos um planejamento para finalizar as músicas, compor mais algumas e gravar demais integrantes, para daí poder mixar e masterizar”, conta o guitarrista.

 

Nada Para Num Instante marca um retorno d’O Elevador, e apresenta questões e conflitos extraídos dessa época atípica da humanidade, traz reflexões cotidianas que se intensificaram durante esse período, como apegos e separações, medos e projeções, que não poderiam ser esquecidos na composição do álbum. “Apesar de não falarmos diretamente da pandemia, não deixamos de ser justos ao que realmente passamos, ao que sentimos e em que lugar estamos, e não deixamos de refletir medos, inseguranças, decepções, bem como, alegrias, afetos e motivações”, comenta Thiago.

 

Sucessor dos discos A Fuga do Albatroz no Mundo das Máquinas Loucas (2017) e Fantasia (2018), Nada Para Num Instante é uma viagem mais introspectiva. “Em relação aos anteriores, as letras em especial, trazem um olhar mais profundo e íntimo do compositor, que faz pensar sobre mim, sobre meus sentimentos em relação ao eu e aos outros, sobre minha vida e tudo aquilo que perdi, mas que se transmutaram para se transformar em outras histórias. Esse álbum tá pura saudade pra mim, faz pensar sobre aquilo que a gente poderia ter vivido nesse tempo mas que nos foi usurpado, não só em relação à banda mas a tudo mesmo”, aponta Alexandre.

 

Faixa a Faixa

 

Nada Para Num Instante, a faixa-título do álbum apresenta a ideia de conflito da transitoriedade, pois muitas vezes as pessoas não estão preparadas para viver o transitório, mesmo a vida sendo cheia de mudanças, mesmo tudo sendo passageiro. “O próprio curso natural da vida irá lhe apresentar várias mudanças, algumas bem dolorosas e essa música propõe lembrar dessa condição e com isso dialogar. E nesse diálogo, busquei tentar compreender o que permanece em todos os estágios da vida, aquilo que não se perde, que é real, isso me refletir muito sobre o amor na música, o amor nas coisas que eu faço e nas pessoas com que eu faço, essa música tem partes que se assemelha tipicamente ao som que faríamos  numa jam em um show qualquer, explorando vários elementos e camadas, e que nos faz se divertir tocando e seguir em frente”, diz Thiago.

 

No Espaço em Vão foi o single que abriu a divulgação do álbum, lançado em fevereiro. A faixa reflete uma certa ansiedade, pessimismo e confusão. “E, em meio a tudo isso, as palavras vieram de forma bem natural: falo sobre estar tarde, o tempo estar passando e eu estar cansado. No começo dos versos cito as fases do dia: ‘tarde’, ‘noite’ e ‘manhã’ e a relação delas com a luz, tarde – o cansaço do fardo, noite – a escuridão, tudo ser esquecido e fugir do controle, e manhã – que é o renascimento dessa luz, que surge ‘em meio ao caos e à confusão’, ‘em meio aos fantasmas’”, conta o guitarrista.

 

Na sequência vem Mar de Solidão, faixa que foi inspirada pelo som da banda Sleep Party People. Thiago comenta: “percebi e me encantei com o minimalismo de linhas instrumentais nas músicas, o que dava um ar intimista e era o que eu precisava pra juntar a letra que eu estava compondo. Ela faz analogia a situações que envolve o mar, tenta trazer simbologias como o ar de solidão dos oceanos, para condições da vida, como ‘se afogar nas emoções’, ‘se eu nadar em um mar de solidão’, ‘que correnteza que não tem um fim’”.

 

Submarino é sobre lidar com partidas e despedidas, sobre sentir saudades e também sobre reconhecer lugares e pessoas. “Vem reverbere a calma do meu partir, pois mesmo as estrelas me distraem“, diz a letra da música que buscou inspiração sonora na trilha da animação Midnight Gospel. A faixa também trata mais diretamente a questão da morte, refletindo que mesmo indo para outros lugares e vivendo novas situações, a morte sempre vai estar presente, mesmo que não seja a última das mortes, mas sim sobre morrer e renascer.

 

Quadrados foi originalmente composta em 2012, quando Thiago estava saindo da adolescência. “Essa faixa entrou no álbum por pedidos de amigos que gostam dela (pois tocamos nos shows). Ela fala sobre situações e sentimentos da época, descobertas e decepções amorosas, mas hoje ela me soa bastante abstrata, talvez eu mesmo não a compreenda tão bem atualmente. Mesmo assim ela tem algo que cativa os mais próximos da banda e isso nos fez gravá-la com uma nova concepção estética. Gustavo cuidou de toda essa nova roupagem e de dar a ela algo que é genuinamente dele”.

 

Nebulas é uma faixa bem pessoal de Thiago: “Essa música foi composta no fim do ano quando eu estava no Mato Grosso, ela retrata o momento que estava passando, eu estava muito neutro emocionalmente e me sentido distante de algumas pessoas, percebendo que mesmo com os acasos e mesmo com a distância certa pessoa era muito importante para mim, e me fazia mesmo ir em frente mesmo sem dizer palavras.  ‘E vai deserto meu coração, em um lapso eterno até então, eu ouvir sua voz vindo das nebulas, eu sentir seus lençol encobrir minha alma´”.

 

Última faixa do álbum, Sua Ilha, tem esteticamente uma certa leveza de missão cumprida, de fim de jornada, e traz a ideia de não pertencer a um lugar específico, e nem ao exato momento que as coisas mudam. Segue trecho da letra: “que eu não sei, qual o meu lugar nem quando eu mudei, ahhh o tempo sopra”.

 

 

Capa

A capa ilustra o título do álbum de forma literal ao captar um instante em movimento. “A concepção visual veio através da escolha da linguagem: a fotografia era quase que a única opção que me parecesse capaz de dialogar com o sentido literal da frase que intitula o álbum. Se nada para num instante, o registro fotográfico acusa a existência de algo que pode ou não estar em movimento, e isso bastava para a concepção artística; o corpo, as luzes e o tecido ao vento foram pensados através da pesquisa de referências estéticas e em diálogo com a criação da capa do single “no espaço em vão” que já carrega o tecido e uma mão (que pertence a um corpo)”, explica a fotógrafa e artista visual Bill, que assina a arte.

 

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FICHA TÉCNICA

 

Álbum gravado em Itajaí SC entre os meses de abril e agosto de 2020 e depois entre janeiro e fevereiro de 2021

 

Alexandre Schafaschek – bateria e vocal de apoio

Gustavo Barbosa – vocal, guitarra, violão, teclado, órgão, controladores e percussão

Thalison Moschetta – baixo, controladores e vocal de apoio

Thiago de Paula – guitarra, violão, teclado, órgão, controladores, percussão e vocal de apoio

Produção:

Thiago de Paula – gravação, mixagem e masterização (todas as faixas)

Gustavo Barbosa – gravação e mixagem (faixa 5 e 6)

Foto: Romero Dominguez

 

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SOBRE O ELEVADOR

 

Em 2014, dois amigos de longa data Thiago de Paula (guitarra) e Gustavo Barbosa (voz e guitarra) se mudaram do interior do Mato Grosso para Itajaí, em Santa Catarina. Na faculdade conheceram Thalison Moschetta (baixo) e Alexandre Schafaschek (bateria), ambos vindo do interior de Santa Catarina, e após passar o ano de 2015 fazendo alguns ensaios e jams, O Elevador se tornou oficial em 2016, quando começou a fazer shows na região, inclusive no importante festival da região, Não Vai Ter Coca.

 

Desde então, a banda lançou A Fuga do Albatroz no Mundo das Máquinas Loucas (2017) e Fantasia (2018), e já se apresentou diversas vezes em Itajaí, Florianópolis, Blumenau, Balneário Camboriú, Brusque, Joinville, Curitiba e demais cidades da região, dividindo palco com nomes nacionais (Bike, Yma, Oruã, Dom Pescoço, Trombone de Frutas, Catavento, Goldenloki, Supervão) e internacionais (Samsara Blues Experiment, Mélange de Culture).

 

 

 

Com informações: Assessoria de Imprensa Café 8