Cris Braun canta o desejo e a incompletude das relações na maturidade no álbum “Quase Erótica”

Quinto disco solo da artista é um lançamento LAB 344

 

Aos 59 anos recém-completados, Cris Braun se reinventa. Cantora e compositora marcante da história do pop cult brasileiro, a artista faz uma viagem ao passado projetando o futuro em “Quase Erótica”, seu quinto disco solo. Revisitando faixas de sua juventude, ela traz um olhar cheio de desejo, tesão e ironia sobre o que é amar e querer ser amado na maturidade. O trabalho está disponível nas plataformas de música digital através do selo LAB 344.

 

Ouça “Quase Erótica”: https://crisbraun.lnk.to/QuaseErotica

 

“Senti um desejo de dançar, de falar para mais gente, de estar num palco pop rock me divertindo e alegrando corações neste disco. Quis sentir e passar vida, humor e pimenta! Refleti bastante sobre a falta de hormônios da menopausa, percebi uma nova forma de erotismo, libido e tesão. Daí o humor do ‘Quase Erótica’”, se diverte Braun.

 

Produzido pela artista junto com Dinho Zampier, o projeto buscou trazer o pop e rock que marca a carreira de Cris com indie e uma MPB psicodélica. O foco foi trazer um olhar atual para a sua própria história. O primeiro single, “Tudo que Você Queria Saber sobre Si Mesmo”, já deixa isso claro. A música, composta por Alvin L, fazia parte do repertório da banda cult Sex Beatles, que colocou o nome de Braun em visibilidade nacional.

 

Assista ao clipe “Tudo Que Você Queria Saber Sobre Si Mesmo”: https://youtu.be/QD1EbyUbdoE

 

“Eu e o Dinho começamos a testar o estúdio que ele montou aqui em casa e à medida que fui aprendendo, me reencantei pela possibilidade de fazer um disco solto leve e brincante e cheio de pinicadas discretas. Para isso, fui buscar no passado referências que me levaram ao repertório, com faixas engavetadas e faixas antigas. Atemporalizar os arranjos e tirar eles de uma marca de sonoridade de época, jogar no tempo com inúmeras referências era o desafio. Esse projeto me inspirou a trazer humor e um pouco de alegria. Uma maneira leve de fazer crítica e resistência”, conta a artista.

 

Mixado e masterizado por Jair Donato, o disco conta com participações de Billy Brandão (guitarras e violões), Jam da Silva (percurssão) e Natan Oliveira (sopros). “Quase Erótica” pode ser ouvido em todas as plataformas de música digital.

 

Ouça “Quase Erótica”: https://crisbraun.lnk.to/QuaseErotica

 

Ficha técnica

 

Produção e arranjos: Dinho Zampier e Cris Braun no estúdio “Fabuloso” de outubro de 2019 à fevereiro de 2021, em Maceió.

Mixado e Masterizado por Jair Donato

Teclados, bateria e baixos programados: Dinho Zampier

Guitarras e violões: Billy Brandão

Percussão: Jam da Silva

Sopros: Natan Oliveira

Vozes: Cris Braun

 

Prazeres desconhecidos – “Quase Erótica” por Arthur Dapieve

 

“Quinta, 20 de maio, 14:44. (…) mas esse texto que você vai escrever… é quase como você me escreveu pessoalmente, que vou juntar com o texto lá da assessoria…”

 

É? Então tá, você pediu.

 

“Segunda, 8 de março, 15:28. Oi, Cris, tudo bem com vocês todas? Que disco lindo, puta merda! Sonoridades, arranjos, letras… Sofisticado pacas. Sabe aquela parada de sentir orgulho da amiga? Pois é. Aprender, Invisíveis e Logado estão entre as coisas mais lindas que você já cantou, compôs ou escreveu. Parabéns. Beijos.”

 

Não tenho como fingir ter qualquer distanciamento afetivo de Cris Braun. Fora as mulheres daqui de casa, acho, ela é a minha interlocutora mais frequente. Em telefonemas interurbanos (essa gaúcha acariocada mora em Maceió, eu, no Rio de Janeiro) sobre nossas vidas e nossos trabalhos, em e-mails em torno da paixão comum pela música clássica e, sim, você sacou o contexto, em áudios e mensagens de Whatsapp para tratar de coisas urgentes. Não se iluda: Quase erótica é urgente.

 

Quase erótica é urgente apesar da longa reflexão que caracteriza todos os trabalhos da Cris. Este é o seu sétimo álbum, contando-se os dois do quinteto Sex Beatles, cult nos anos 1990, os três solo tipo solo mesmo e o anterior, gravado em dupla com Dinho Zampier, atenção ao prazo!, “de junho de 2014 a dezembro de 2016”, Filme. Se este era, assumidamente, a trilha para um filme que nunca existiu, fico tentado a ouvir em Quase erótica o som ambiente de uma boate tecnopop dos 80’s que sobrevive numa rua paralela/realidade à Praça Mauá dos 20’s. Quase Erótica, diria o letreiro.

 

Quase erótica é parte o que seu título anuncia. Não, meninas e meninos, não se animem muito, o lance aqui é quase erótico. Porque quase todas as oito faixas – pode-se dizer faixa num álbum que, ao menos por ora, é exclusivamente digital? – narram os tremendos 0 a 0 do dia a dia, do noite a noite, narram as relações que não se consumam plenamente. Está no clima pra lá da Bagdá pop de Invisíveis (parceria da Cris com a Luciana Pestano): “Ele diz a verdade/ Quando eu quero a mentira/ Ela é flor da bondade/ Quando eu quero que agrida.” Está no rock de batida eletrônica Impossível (de Alvin L e Vicente Tardin, ex-companheiros de Sex Beatles): “Eu digo que amo/ Você diz também/ Mas na verdade/ Ninguém é de ninguém”. Aliás, já estava lá em Tudo que você queria saber sobre si mesmo (Alvin L), gravada pela velha e safada banda como glam rock e aqui abrindo os trabalhos em releitura inferninho-elétrico-contemporâneo.

 

No entanto, Quase erótica não é só suas letras, claro. É também suas melodias, seus arranjos… Daquelas minhas favoritas de março, Aprender (outra do Alvin) me faz pensar numa comédia romântica francesa dos anos 1960. Não, não estou sendo induzido pelo verso “pesadelo com Brigitte Bardot” porque também há “o lado B de Ziggy Stardust”. Já a curtinha Logado (da Cris e de Billy Brandão) puxa para um hula-hula hi-tech. E a derradeira Quero você e seu namorado também (outra herança bendita dos Sex Beatles, co-assinada pelo legionário-urbano Dado Villa-Lobos) soa, no novo arranjo, como uma eletromacumba com final jazz-roqueiro. Dá para imaginar?

 

Por falar nos arranjos, eles são da própria Cris e do seu parceiro no álbum Filme, Dinho Zampier. Ele também toca teclados, baixo e programa a bateria. Billy Brandão está no violão e na guitarra. Jam da Silva, na percussão. E Jair Donato mixou e masterizou o trabalho. Ao escutar Quase erótica, você vai se entender a importância desse crédito técnico… Preste atenção no álbum. Tudo passa rápido, como a vida, menos de 25 minutos de prazeres desconhecidos.

 

Quinta, 27 de maio, 17:02. Oi, Cris, ouvindo de novo aqui… Acho que minhas favoritas agora são A cara da minha metade e Príncipes e feras. Beijos”

 

Siga Cris Braun:

 

https://www.instagram.com/crisbraunoficial

https://open.spotify.com/artist/2JgOpjAclT7MnRKsYekXuf?si=7IHD3Er5T3eyGbp0bcPmSw&dl_branch=1

 

 

 

 

 

 

Com informações: Nathália Pandeló Corrêa –  Build Up Media  –  http://www.buildupmedia.com.br