Entrevista Exclusiva com o guitarrista Edgard Scandurra

O personagem da nossa entrevista exclusiva é um dos maiores guitarristas do Brasil, estudou na infância na Vila Mariana, atualmente mora na Vila Madalena, tocou em bandas como Subúrbio, Smack, As Mercenárias, Ultraje a Rigor, com artistas como Arnaldo Antunes, Karina Buhr, gravou um disco solo que tocou todos os instrumentos, o famoso “Amigos Invisíveis”, entre outros trabalhos de tirar o chapéu em  parceria com a cantora Silvia Tape, Toumani Diabaté e Arnaldo em “A Curva da Cintura”.

 

Fundador da banda IRA!, pai do Daniel, do Joaquim, do Lucas e da Estela,  o nosso convidado é um grande músico e operário do rock de São Paulo e do Brasil.

 

Por e-mail conversamos com o guitarrista Edgard Scandurra, que foi muito atencioso com a gente e em nosso primeiro contato, topou na hora.

 

Boomerang MusicFalando sobre o IRA!, vem trabalho inédito por ai?

Edgard -Sim, este ano vem com novidades. Estamos em processo de composições novas, aguardem.

 

Boomerang MusicTem uma música “ABCD” que estava rolando nos shows, essa é umas das novas?

Edgard – Ela vinha sendo tocada sim, mas acho que ela ficou defasada com os novos caminhos da banda. A letra brincava com o nome de drogas e o alfabeto. Acho que passamos dessa fase.

 

Boomerang MusicComo você se sente aos 57 anos e sabendo que daqui a dois anos comemorando também 40 anos de celebração de banda IRA!.

Edgard – Fico feliz em fazer parte da história da música brasileira e 40 anos não é pra qualquer um, principalmente com uma história musical tão bonita como a nossa, com discos diferentes entre si, marcando cada fase de nossa vida.

 

Boomerang MusicAtualmente vocês estão na estrada com dois shows o “Folk” e o Elétrico”, que são diferentes um do outro, o primeiro inclusive já está um bom tempo rolando por ser um grande sucesso e por resgatar aquele formato intimista, qual formato que você curte mais ?

Edgard – Eu gosto de subir no palco e tocar. Folk ou com a banda, não me importo muito. Eu costumo “viajar” quando eu toco e isso vale pros 2 espetáculos.

 

Boomerang MusicAno passado você realizou alguns shows do seu maravilhoso trabalho “Amigos Invisíveis”, porque não gravar um “ao vivo” deste projeto para as plataformas digitais?

Edgard – Esse seria, em tese  o ano pra fazer um disco ou um tributo aos 30 anos do lançamento do “Amigos”, fizemos um show no sesc muito bom e está muito bem gravado. Vamos ver se fazemos algo nesse sentido.

 

Boomerang MusicPara este ano o que você pode contar de novidades sobre seu trabalho solo?

Edgard – Esse ano está muito esquisito. Esses caminhos políticos de gente no poder  que assumidamente não gosta muito de arte, deixa uma grande interrogação em todos os artistas. Eu gostaria de lançar novidades do Benzina (tenho musicas pra isso), um novo do Ira! e também um novo com meu parceiro Arnaldo Antunes. Mas isso tudo precisa de investimento….não sei se tenho bala pra tanta coisa e continuar pagando as minhas contas em casa. Vejamos…

 

Boomerang Music  – O que você tem ouvido ultimamente na música em geral?

Edgard – Eu gosto muito de descobrir novidades de 30, 40 anos atrás. Sou muito nostálgico e posso falar sem medo algum que o melhor da música está no passado. Eu me inspiro muito no que chamo de clássico underground, que vem desde o Jazz dos anos 50 até o post punk dos 70/80, chegando ao eletrônico dos anos 90.

 

Boomerang Music  – Sobre as bandas novas do rock nacional, tem alguma que você curte e ouve?

Edgard – Eu gosto de nomes de pessoas, não acho que exista um movimento de bandas novas, mas de artistas novos. Rafael Castro é um cara incrível . Fillipe Catto canta muito bem. Fernando Catatau é um grande guitarrista e compositor, muita gente nova que toca pelos buraquinhos da cidade. Mas bandas mesmo .. não sei nem se existem.

 

Boomerang Music  – Com tantas bandas e artistas que já participou, cantou e ainda participa como o Pequeno Cidadão, tem algum que você ainda gostaria de tocar junto?

Edgard – Eu estou ao sabor do vento musical. Cada  vez mais seleto em minhas escolhas, mas cada vez mais tolerante com estilos diferentes.  Eu adorei gravar um disco internacional, como foi o “ curva da cintura” com Arnaldo Antunes e Toumani Diabate, no Mali que gerou um grande trabalho e uma turnê pela Europa em 2013 . Se existe algo que me realiza pessoalmente é viajar para tocar. Isso é meu plano de vida principal. Passaporte na mão e seguir em frente!