Multiartista Edgar lança o álbum Ultraleve; ouça

Trabalho tem patrocínio da plataforma Natura Musical

 

O multiartista Edgar lança hoje o aguardado sucessor de Ultrassom. Batizado de Ultraleve (Natura Musical/Deck), o novo álbum traz paisagens um pouco mais solares que o disco anterior, mas os assuntos são sempre urgentes: excesso de tecnologia, destruição ambiental, violência e individualismo. OUÇA AQUI

 

A ancestralidade também está representada pelas participações de Kunumi MC, morador da aldeia indígena Krukutu, localizada na região de Parelheiros (SP), e da cantora e compositora iunk (primeiros povos habitantes do Alaska, Groenlândia e Canadá) Elisapie. Ambos cantam em seus idiomas nativos.

 

O projeto conta ainda com clipes que bebem das referências psicodélicas do artista. Os vídeos “A Procissão dos Clones” e “Mentes Mirabolantes” também chegam aos fãs nesta sexta-feira, 28. E, às 19h, Ultraleve ganhará uma live transmitida direto do canal de Edgar no YouTube. O repertório fará uma viagem planando por todas as faixas inéditas do álbum.

 

Produzido por Pupillo, Ultraleve traz instrumentos construídos por Edgar. O multiartista trabalha nisso desde 2016 e três desses instrumentos criados a partir de lixo reciclável introduzem novos timbres ao som do álbum, um pouco menos tecnológico do que seu antecessor.

 

Edgar foi selecionado pelo programa Natura Musical, por meio da lei federal de incentivo à cultura, ao lado de Elza Soares, Emicida, João Donato e Letrux. Ao longo dos 16 anos, Natura Musical já ofereceu recursos para mais de 140 projetos no âmbito nacional, como Lia de Itamaracá, Mariana Aydar, Jards Macalé e Elza Soares.

 

“Nós acreditamos no impacto transformador que a música pode ter no mundo. E os artistas, bandas e projetos de fomento à cena selecionados pelo edital Natura Musical têm essa potência de mobilizar o público na construção de um mundo mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

 

Maniçoba poética  Por Lulie Macedo

 

Quando, em 2018, Edgar nos assombrava trazendo verdades como “o futuro é uma criança com medo de nós”, nem em nossos piores pesadelos poderíamos imaginar o que nos aguardava. Pouco mais de um ano após a estreia do primoroso e premiado Ultrassom (Deck), o planeta seria varrido pela pandemia.

 

Edgar nos apresenta agora (Natura Musical/Deck), álbum que enfileira nove faixas produzidas mais uma vez pelo parceiro Pupillo Oliveira. “É uma maniçoba poética, demora mais de cinco dias no fogo da vaidade, com a panela cheia de água e empatia, cozinhando todos os sentimentos atravessados por um corpo negro em uma sociedade programada para o excluir e o matar”, diz o multiartista no texto de apresentação do trabalho.

 

Prato originário dos povos indígenas, maniçoba é a metáfora perfeita para as sensações que provoca, desde a primeira audição. Tal qual a maniva (folha da mandioca), cujo preparo pode levar até uma semana, requer calma e atenção. Assim como outras iguarias, não é no consumo rápido que se absorve suas propriedades: é um disco que exige ouvidos abertos e sistema digestivo preparado. As palavras de Edgar são acidez pura, abrasivas, deboche curtido em pH baixíssimo.

 

Os beats e percussão de Pupillo acompanham esse cozimento, criando ambiências sonoras ora irônicas, ora melancólicas, mas sempre enérgicas. É bonito prestar atenção em como ele responde aos plot twists narrativos de Edgar, surpreendendo também na estrutura de cada faixa, criando transições inesperadas. É como se eles estivessem construindo a trilha sonora de um game distópico, subvertendo o passado do funk, desde Afrika Bambattaa, e desenhando paisagens que alternam climas de acordo com cada “fase” do jogo.

 

Os materiais recicláveis que aparecem nas criações visuais de Edgar surgem em Ultraleve de outra maneira: objetos encontrados nas ruas de São Paulo por Edgar foram transformados em instrumentos e amplificados, adicionando efeitos às produções de Pupillo.

 

Acho desnecessário teorizar sobre a lírica de Edgar – para cada um seus versos batem de um jeito, e que assim seja. Mas há um discurso oculto que vale botar reparo: Ultraleve diz muita coisa nas entrelinhas de seus feats: Kunumi MC rima em guarani na faixa “Que a natureza nos conduza”, e a cantora canadense Elisapie, uma artista e ativista inuíte, participa em “A Procissão dos Clones” cantando em seu idioma nativo.

 

Não, não sabemos o que eles estão cantando. Nem Edgar sabe. E essa falta, esse diálogo ausente, ou interrompido, é exatamente o que está por trás da escolha das participações. A ausência também tem o seu lugar no discurso de Edgar, e para isso também é preciso tempo, atenção e digestão. Eu avisei que levava tempo para a maniçoba ficar pronta. Aproveite!

 

Sobre Natura Musical

 

Natura Musical é a plataforma de cultura da marca Natura. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu cerca de R$ 159 milhões no patrocínio de mais de 500 projetos – entre trabalhos de grandes nomes da música brasileira, lançamento e consolidação de novos artistas e projetos de fomento às cenas e impacto social positivo. Os trabalhos artísticos renovam o repertório musical do País e são reconhecidos em listas e premiações nacionais e internacionais. Em 2020, o edital do Natura Musical selecionou 43 projetos em todo o Brasil e promoveu mais de 300 produtos e experiências musicais, entre lançamentos de álbuns, clipes, festivais digitais, oficinas e conferências. Em São Paulo, a Casa Natura Musical se tornou uma vitrine permanente da música brasileira, com uma programação contínua de lives, performances, bate-papos e conteúdos exclusivos, agora digitalmente.

 

 

 

 

 

 

 

Com informações:  Assessoria de imprensa | Natura Musical