Patricia Ahmaral lança álbum “A Coisa Mais Linda Que Existe – Patrícia Ahmaral Canta Torquato Neto – vol.2”

Segunda parte de álbum duplo tributo da cantora mineira ao poeta e multiartista piauiense, já está nas plataformas.

 

Com 10 faixas, o novo volume é dedicado a canções com letras de amor do autor, morto em 1972, e traz participações de Ná Ozzetti, Paulinho Moska e Zeca Baleiro, que é também diretor artístico do projeto.

 

Ouça o álbum: https://found.ee/torquato-neto-volume-2

 

Assista ao videoclipe: Patrícia Ahmaral e Zeca Baleiro (feat) / “Go back” (Sérgio Britto e Torquato Neto)-

https://youtu.be/SYGoR6TNahE

 

Assista ao videoclipe: Patrícia Ahmaral e Paulinho Moska (feat)-“Jardim da Noite (Esses Dias”) –

https://www.youtube.com/watch?v=TgeGcRVvG9A

 

Assista teaser do minidoc do projeto: https://www.youtube.com/watch?v=_18zRlHs9IE

 

 

Quem já manteve contato com a historiografia ou com alguma faceta do legado do poeta, cineasta, ator, jornalista e letrista de canções, Torquato Neto (1944-1972), conhecido como o “poeta da Tropicália”, tende a cristalizar, junto ao personagem grandioso e intrigante que ele representa, a imagem de uma pessoa atormentada, inconformista, regada pelo mito do poeta suicida, gesto que infelizmente ele consumou, aos 28 anos de idade. De fato, o artista, nascido em Teresina e migrado para o Rio de Janeiro, em 1962, uma das figuras mais combativas e afirmativas no campo das artes nacionais de vanguarda, nos anos 1960 e início dos 70, não poupava posturas de radicalidade, assim como não poupou a si mesmo, em nome do mergulho alucinante e urgente ao qual se entregou, junto a seus pares, rumo ao sonho de modernizar e universalizar as artes no país, vislumbrando um Brasil  muito vivo e de ponta, a partir de seu caldo cultural genuíno, amargando, por outro lado, ele, Torquato, uma profunda angústia ante às contradições marcantes em nosso território, misturadas às suas próprias batalhas internas entre muitos fins e (re)começos.

 

Com o lançamento de “A Coisa Mais Linda Que Existe – Patrícia Ahmaral canta Torquato Neto – Vol.2” (10 faixas), que já está disponivel nas plataformas digitais de áudio, a cantora Patrícia Ahmaral, de certa forma, tange algo como um contraponto a esta aura atribuída ao autor, trazendo nesta segunda parte de seu álbum tributo, um recorte dedicado exclusivamente a canções com letras de amor escritas por Torquato Neto. Entre as mais conhecidas, a clássica “Pra dizer adeus”, parceria dele com Edu Lobo e “Go back”, parceria com Sérgio Britto, hit dos Titãs, gravado pelo grupo nos anos 80.

 

O lançamento, que traz participações especiais de Ná Ozzetti, Paulinho Moska e Zeca Baleiro, dividindo solos de voz com Patrícia, dá sequência à homenagem da intérprete, que iniciou com “Um Poeta Desfolha a Bandeira – Patrícia Ahmaral Canta Torquato Neto – Vol.1” (9 faixas)*, e divulgado anteriormente nas plataformas, em 10/11/2022, exatamente na efeméride dos 50 anos de morte do autor. O projeto contou com direção artística do compositor e cantor Zeca Baleiro, colaboração iniciada informalmente e consolidada como oficial no decorrer das gravações.

 

* ouça o Vol.1: https://found.ee/patricia-ahmaral-canta-torquato-neto-1

 

DUAS FACES

 

“São duas faces de Torquato, embora elas se entrelacem totalmente. O volume 1 com canções de discursos mais ´coladoś na Tropicália ou de versos mais existencialistas ou convocatórios. No volume 2, sua fala lírica-amorosa, terna, mas também atravessada por seu modo urgente e confessional e, por vezes, misturada à sua ironia crítica aos contextos do país”, explica Patrícia. “Um romantismo a la Torquato”, complementa.

 

Baleiro também comenta, em texto a respeito: “Patrícia dividiu o repertório do poeta em um volume mais, digamos, existencial, e outro mais lírico/amoroso, embora em Torquato tudo se misture e se confunda. Na poesia de Torquato tudo é caos. Por isso também é explosão de beleza”.

 

PRODUÇÃO MUSICAL E PROJETO GRÁFICO

 

A produção musical do trabalho, gravado na maior parte remotamente, durante o período pandêmico, é assinada pela dupla Marion Lemonnier (Honfleur-FR) e Walter Costa (Niterói), criando em conjunto, e por Rogério Delayon (Belo Horizonte), multiinstrumentista que integrava, no final dos anos 90, a banda que esteve com Patrícia, em noite na “Primeira Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte”, apresentando o show “TorquaTotal”, embrião que, de alguma forma, se desdobra neste álbum duplo, mais de 20 anos depois. No processo remoto, as vozes de Patrícia foram gravadas em São Paulo, pela produtora Gigi Magno, que as enviava para serem unidas às bases, por Walter Costa, também responsável pela mixagem do disco.

 

O álbum chega às plataformas com projeto gráfico de capa e “encarte” digital, assinado por Chico Amaral, artista plástico e premiado designer, irmão de Patrícia, que assumiu até o momento a criação gráfica de todos os trabalhos discográficos da cantora. As fotos são de Kika Antunes, fotógrafa belo-horizontina que dialoga com a intérprete também desde o início de carreira e que a clicou, agora, buscando uma estética de movimentos, camadas, em alusão à aura fugaz, fragmentária e plural que envolve a obra de Torquato Neto. O encarte será disponibilizado através das redes sociais da artista, na data de lançamento. Alguns exemplares físicos serão produzidos posteriormente para a imprensa e para fãs.

 

REPERTÓRIO

 

Neste volume 2, junto às obras mais amplamente conhecidas, as já citadas “Go back” e “Pra dizer adeus”, Patrícia resgata outras menos divulgadas, como “Um dia desses eu me caso com você”, de Torquato com o pernambucano Paulo Diniz (1940-2022), no vasto e interessante espectro de parcerias que contribuem no cancioneiro do autor. A música foi lançada por Diniz no LP “Canção do Exílio”, de 1982. Patrícia e Baleiro chegaram a tentar uma participação do músico na gravação, ainda em 2021, o que infelizmente não se concretizou, por motivos de saúde. Mais recentemente,  o mesmo poema foi base para canção homônima do compositor mineiro Oneives, no álbum “Segunda-feira” (2010) e, sobre outra versão do poema, Adriana Calcanhoto compôs “Um dia desses”, lançada  em “Maré” (2008).

 

Além de Edu Lobo, Sérgio Britto e Paulo Diniz, “A Coisa Mais Linda Que Existe – Patrícia Ahmaral canta Torquato Neto – Vol.2” traz parcerias de Torquato com Gilberto Gil, na trinca “A coisa mais linda que existe”, “Minha Senhora” e “Zabelê”; com Geraldo Azevedo, em “O nome do mistério”; com Nonato Buzar (1932-2014), em “Que película”; com Zeca Baleiro, na até então inédita “Jardim da Noite (Esses Dias); e com Zé Roraima, em “Eh Morena”, canção do álbum “Torquato Neto: Inéditas Entre Nós” (2019), produzido a partir do Piauí. Nas participações, Ná Ozzetti, em “Que película”, Zeca Baleiro, em “Go back” e Paulinho Moska, em “Jardim da Noite (Esses Dias)”. (Confira repertório e faixa-a-faixa ao final do release).

 

“Sobre as participações são nomes de referência pra mim e na música brasileira e que, no álbum, me ajudam a promover as conexões que Torquato apreciava.  Ele era gregário e plural ao mesmo tempo… naturalmente, assim como no volume um, que trouxe várias colaborações e muito simbólicas (Banda de Pau e Corda, Chico César, Jards Macalé, Maurício Pereira e Tonho Penhasco e Projeto Moda de Rock), surgiu o desejo de incluir, também neste, pontes com artistas diversos e convidá-los para somarem neste caldeirão musical do poeta!”, conclui Patrícia.

 

PATRÍCIA COMENTA SOBRE O MOTE LÍRICO/AMOROSO 

 

NO LANÇAMENTO DE AGORA

 

Eu já estava com o projeto do álbum encaminhado, havia sido contemplada com um edital da Lei Aldir Blanc (2020), que me permitiria iniciar parte da gravação e que eu finalizaria mais adiante com uma campanha de financiamento coletivo. Mais ou menos no mesmo período, consegui finalmente assistir ao documentário “Todas as horas do fim” (2017), dos roteiristas Marcus Fernando e Eduardo Ades, já em plataforma de streaming, pois infelizmente não conseguira conferir no cinema. Ao final do filme, que traz uma abordagem muito poética e delicada, num roteiro belíssimo, me ocorreu fazer este recorte com as canções de amor. Finalizei a sessão muito comovida. E veio, sim, um desejo de ajudar a transbordar o amor contido naquele personagem intrigante e grandioso, um terno e radical brasileiro, desenhado na tela e não cabendo em si mesmo… Ou… transbordar amor para ele. Foi a maneira que encontrei. Remeter Torquato ao amor que ele mesmo cunhou. Anterior ao contato com o doc, somou-se nessa perspectiva mais afetiva, um encontro inusitado que o acaso e a sorte me trouxeram no final de 2019, em São Paulo, com uma das primas de Torquato, Adélia Araújo, pessoa extremamente afável. Em cerca de uma hora de conversa, ela me contemplou com histórias sobre a ternura e sobre os tormentos dele, vistos a partir da intimidade… Eu já guardava um desenho daquelas músicas, onde seus versos falam do amor romântico, a meu ver, de uma maneira muito singular. São belas composições, de um espectro colorido, em parcerias impressionantemente diversificadas, como é toda sua obra musical. Trouxe a proposta para Zeca Baleiro, que a acolheu, e decidimos. Então, esse recorte tem uma motivação artística, mas também afetiva.

 

ENTENDA O HISTÓRICO DO PROJETO

 

O embrião desta homenagem de Patrícia a Torquato remonta ao final dos anos 1990. Ainda em início de carreira e ao lado dos músicos que a acompanhavam à época (Celso Pennini, Luís Patrício, Rogério Delayon e Thiago Corrêa) Patrícia Ahmaral apresentou, em noite especial na “1ª Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte” (1998), o show “TorquaTotal”, espetáculo idealizado pelos poetas Ricardo Aleixo e Marcelo Dolabela (1957/2020) e roteirizado e dirigido pelo produtor Pedrinho Alves Madeira. À época, Dolabela comentou: “Patrícia recebeu e cumpriu a missão de pegar o ‘escorpião’ vivo, eletrificá-lo e destilar seus venenos em mais veneno.”  De certa forma, o álbum de agora é um desdobramento daquele momento, mais de 20 anos depois, porém com o repertório modificado e ampliado, novas colaborações e pesquisas.

 

VERSÕES DELUXE

 

A cantora promete, para um futuro não muito distante, versões deluxe dos dois volumes para contemplar canções caras a ela, mas que precisaram ficar de fora do setlist .

Ela aguarda também oportunidade para circular com shows de lançamento do projeto, unindo os dois repertórios.

 

SOBRE PATRÍCIA AHMARAL

 

Patrícia Ahmaral iniciou carreira nos anos 90. Seu CD de estreia, Ah! (1999), foi produzido por Zeca Baleiro. Depois vieram Vitrola Alquimista (2004) e Superpoder (2011), produzidos respectivamente por Renato Villaça e Fernando Nunes. Após um hiato na carreira, em 2022 concretizou um sonho acalentado há anos e lançou, nas plataformas, o primeiro volume de um álbum tributo ao poeta piauiense Torquato Neto. Em seus discos anteriores, ela reverencia com paixão obras de autores como Walter Franco, Sérgio Sampaio e Alceu Valença, além de expoentes de sua geração, como Chico César, Zeca Baleiro e nomes da cena independente, como Edvaldo Santana e Suely Mesquita. E faz leituras de clássicos, como A Volta Do Boêmio (Adelino Moreira) e Não Creio Em Mais Nada (Totó). É formada em canto lírico pela UFMG. Em seu trabalho de maior visibilidade, gravou na primeira exibição da novela Xica Da Silva (Rede Manchete) os temas de abertura e do personagem principal, na trilha sonora de Marcus Viana. Vem despontando também como compositora e prepara álbum autoral para final de 2023/início de 2024.

 

Bio digital:  https://patriciaahmaral.com.br/

 

SOBRE TORQUATO NETO

 

O poeta, letrista, jornalista, cineasta e ator Torquato Neto nasceu em 1944, em Teresina (PI). Após seu aniversário de 28 anos, cometeu suicídio, na madrugada de 10 de novembro de 1972, abrindo o gás no banheiro do apartamento onde morava, no Rio de Janeiro, cidade para onde se transferiu em 1962. Parceiro e amigo de Gilberto Gil, de Caetano Veloso, de Jards Macalé, amigo do artista plástico Hélio Oiticica, interlocutor do poeta Décio Pignatari, do cineasta Ivan Cardoso e de outros nomes expoentes, foi defensor das artes de vanguarda como o cinema marginal e a poesia concreta e um dos principais mentores da Tropicália, segundo atesta Gilberto Gil: Ele, Capinam e Caetano formavam um tripé.  Torquato figura na capa do álbum manifesto Tropicália Ou Panis Et Circensi e assina duas das faixas, Geléia Geral, com Gil e Mamãe Coragem, com Caetano.

 

Entre 1967 e 1972, escreveu colunas culturais, dentre elas, a mais famosa, Geléia Geral, que manteve entre 1971 e 1972, no Jornal Última Hora, inaugurando um estilo singular, numa impressionante crônica sobre a revolução que acontecia na música e nas artes nacionais naquele período. Torquato deixou um legado breve, fragmentário e plural, em jornalismo, poesia, cinema e composições, cada vez mais reverenciado em teses acadêmicas, documentários e compilações. Segundo o poeta e pesquisador Marcelo Dolabela (1957 – 2020), “Torquato Neto é um dos poucos que se inserem no seletíssimo grupo de artistas que, após a morte, tiveram mais obras lançadas do que quando em vida. Está ao lado de Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski e Vinícius de Morais”.

 

Site do artista: https://www.torquatoneto.com.br/

 

Gilberto Gil em Torquato Neto – o vôo de fogo do poeta terminal,

Tarik de Souza, 1984:

(Torquato) foi uma das pessoas mais influentes no sentido do levantamento ideológico da postura tropicalista. Ele, Capinam e Caetano formavam um tripé (…).

 

Cláudio Portella, no prefácio de Melhores Poemas, 2018:

Conforme (afirma) José Miguel Wisnik, ele é o primeiro a unificar a densidade entre a poesia escrita e a cantada.

 

Paulo Leminski, em Folha De São Paulo, Folhetim, 7/11/1982:

Torquato marca uma mudança radical, um salto quantitativo, na história disso que se chama, na falta de termo melhor, poesia brasileira. Poesia que, hoje, não apenas se lê nos livros, mas se escuta nas canções, nos discos, nos rádios, na TV, na vida, enfim. Torquato tem muito que ver com isso (…) Porque, com Torquato, começa a existir essa estranha estirpe de poetas: os letristas.

 

Referências:

 

Tom Zé fala sobre Torquato Neto

Gilberto Gil fala sobre Torquato Neto

Documento Especial׃ Torquato Neto, O Anjo Torto da Tropicália Ivan Cardoso, 1992 Parte 1 de 2

Ouça o único registro da voz de Torquato Neto, áudio recuperado em 2014 pelo radialista Vanderlei Malta, que o entrevistou no festival da Record de 1968.

https://www.youtube.com/watch?v=yTdCid6sQz0

 

LANÇAMENTO DO ÁLBUM

“A Coisa Mais Linda Que Existe – Patrícia Ahmaral Canta Torquato Neto – Vol.2”

Artista: Patrícia Ahmaral, com participações de Ná Ozzetti, Paulinho Moska e Zeca Baleiro

nas plataformas digitais de áudio:   https://found.ee/torquato-neto-volume-2

 

FAIXAS

 

1-        Um dia desses eu me caso com você (Paulo Diniz e Torquato Neto)

2-        Eh Morena (Zé Roraima e Torquato Neto)

3-        Jardim da Noite (Esses Dias) (Zeca Baleiro e Torquato Neto), feat Paulinho Moska

4-        A coisa mais linda que existe (Gilberto Gil e Torquato Neto)

5-        Go back (Sérgio Britto e Torquato Neto), feat Zeca Baleiro

6-        Minha Senhora (Gilberto Gil e Torquato Neto)

7-        O nome do mistério (Geraldo Azevedo e Torquato Neto)

8-        Que Película (Nonato Buzar e Torquato Neto), feat Ná Ozzetti

9-        Zabelê (Gilberto Gil e Torquato Neto)

10-     Pra dizer adeus (Edu Lobo e Torquato Neto)

 

FICHA TÉCNICA

 

Artista: Patrícia Ahmaral (voz, vocais)

Participações especiais: Ná Ozzetti, Paulinho Moska, Zeca Baleiro.

Direção Artística: Zeca Baleiro

Produção Musical: Marion Lemonnier, Rogério Delayon, Walter Costa e Zeca Baleiro

Edições adicionais e gravação voz Patrícia: Gigi Magno (Eletrola Produções)

Gravaram instrumentos: Bruno Santos, Dunga, Érico Theobaldo, Jam da Silva, Lui Coimbra, Kuki Stolarski, Mafran do Maracanã, Marcelo Lobato, Marion Lemonnier, Richard Fermino, Rogério Delayon, Síntia Piccin, Swami Jr., Tatá Sympa, Thiago Corrêa, Zeca Baleiro.

Mixagem: Walter Costa – Focal Point

Masterização: Maurício Gargel – Gargel Mastering

Projeto Gráfico (capa e encarte digital): Chico Amaral

Fotos: Kika Antunes/ assistente: Ester Antunes – Fotos Torquato: Acervo Artístico Torquato Neto

Apoio styling: Ronaldo Fraga e Virgínia Barros

Distribuição e Autorizações: Tratore

Assessoria de Imprensa: Ana Paula Romeiro Assessoria

Campanhas Digitais: Palco Digital

Produção Executiva e Pesquisa: Patrícia Ahmaral

Agradecimentos Especiais: Acervo Artístico Torquato Neto, Júlio Moura, Ricardo Aleixo

 

*Projeto gravado através de recursos da Lei Aldir Blanc/2020 (editais Minas Gerais) e de campanha crowdfunding

 

VIDEOCLIPES DO PROJETO:

 

“Go back” (Sérgio Britto e Torquato Neto), feat Zeca Baleiro – faixa do volume 2:

Patrícia Ahmaral e Zeca Baleiro (feat) / “Go back” (Sérgio Britto e Torquato Neto)-Videoclipe

 

“Jardim da Noite (Esses Dias)” (Zeca Baleiro e Torquato Neto) – faixa do volume 2:

Patrícia Ahmaral e Paulinho Moska (feat)  “Jardim da Noite (Esses Dias)” – Videoclipe

 

“Let´s play that” (Jards Macalé e Torquato Neto), feat Jards Macalé – faixa do volume 1:

Patrícia Ahmaral e Jards Macalé – Let´s Play That (videoclipe)

 

CONFIRA O FAIXA A FAIXA DO ÁLBUM, POR PATRÍCIA AHMARAL

A Coisa Mais Linda Que Existe

Patrícia Ahmaral Canta Torquato Neto – vol.2

10 faixas – Independente

 

Faixa 1 – Um dia desses eu me caso com você (Paulo Diniz e Torquato Neto)

É especial a oportunidade de resgatar essa parceria do saudoso Paulo Diniz (1940-2022), de quem sou muito fã, com Torquato. E abrir o álbum com ela é, de alguma forma, uma reverência a Diniz, além de lançar luz, logo de cara, a meu ver, sobre o amplo espectro de parcerias que contribuem no cancioneiro de Torquato, seja compondo, ainda em vida, com um leque grande de autores, seja nas inúmeras composições póstumas a partir de artistas diversos que se debruçam sobre seus versos. Não sei qual foi o caso desta parceria de “Eh Morena”… se em vida ou póstuma, pois ela foi foi lançada apenas em 1984, no LP “Canção do Exílio”, de Paulo Diniz. Lendo os textos de Torquato, cartas, colunas culturais, vê-se que era um ato propositivo, “provocar” parcerias com nomes que lhe despertavam interesse, fossem amplamente conhecidos ou não, à época, e contribuir como letrista para a consolidação da canção brasileira que vinha abrindo caminhos para se firmar como ativo grandioso perante o mundo. Coube à dupla de produtores Marion Lemonnier e Walter Costa, trazerem essa leitura muito cativante pra faixa, em que destaco as rabecas de Lui Coimbra, costurando a canção.

 

Faixa 2 – Eh morena (Zé Roraima e Torquato Neto)

Essa canção, criada por Zé Roraima sobre letra de Torquato Neto, foi lançada originalmente no álbum “Torquato Neto: Inéditas Entre Nós” (2019), tributo produzido a partir do Piauí, com artistas locais, que se debruçaram sobre escritos inéditos do poeta, disponibilizados pelo Acervo Artístico do autor, em Teresina. Admiradora da iniciativa, achei importante trazer algo dela para compor com o repertório do álbum. Não só pelo valor artístico e cultural, um Torquato com novíssimas canções, após quase 50 anos de sua morte, mas também pelo simbolismo territorial.  Zé Roraima, por sinal, como seu nome sugere, é roraimense. Mas é radicado no Piauí. Seu arranjo original para o disco de inéditas já trazia essa pegada meio samba-rock. Coube à dupla Marion Lemonnier e Walter Costa, que produziram a faixa no álbum, provocarem ainda a canção com novos timbres. Na letra, a ironia fina de Torquato.  Parece mais uma ironia crítica ao modo de vida da classe média brasileira, vestida de canção de amor. “Eh morena/ não precisa chorar/ nosso dia/ ainda está pra chegar…/vou comprar um apartamento/completamente bonito/ pra quando eu ficar aflito/ me sentir na zona Sul/”.  Uma pérola… e a canção que Roraima criou sobre a letra é muito cativante.

 

Faixa 3 – Jardim da Noite (Esses Dias) (Zeca Baleiro e Torquato Neto) – feat Paulinho Moska

 

No ano de 2018, eu retomava a carreira, após um hiato longo sem cantar e gravar. Entre as empreitadas naquele fim de ciclo e início de outro, haveria uma reapresentação do show “TorquaTotal”, em BH. Eram 20 anos, desde que o apresentara a primeira vez, em 1998, na “Primeira Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte”, a convite dos poetas Marcelo Dolabela (1957-2020) e Ricardo Aleixo. Estava já em minha mente também, me empenhar mais objetivamente para finalmente gravar o álbum tributo. Zeca Baleiro, que eu também havia reencontrado após alguns anos sem manter contato, ao saber dos dois projetos, comentou que havia composto uma canção recente sobre um poema de Torquato. Foi assim que a faixa, inédita, foi para aquele show e depois para o disco, na generosidade costumeira de Zeca. É uma canção de arrepiar, com arranjo e produção musical de Rogério Delayon. Quando a base ficou pronta, eu “ouvi” o canto emocional do querido Paulinho Moska nela. Achei que ficaria muito bonito. Arrisquei o convite e, de fato, o que ele fez foi incrível. A música parece ser dele! Tive a oportunidade de conhecer o Moska muitos anos atrás, em um projeto feito em Minas, com participações de artistas nacionais. Mantemos um carinho mútuo, desde lá, embora não convivamos!

 

Faixa 4 – A coisa mais linda que existe (Gilberto Gil e Torquato Neto)

 

Essa canção estava no nosso show “TorquaTotal” de 1998, uma das minhas preferidas do repertório. Guardo de lá a lembrança de ouvir a gravação original de Gal, do LP Gal Costa (1969), porém numa fitinha k7 preparada com o repertório, pelo poeta Marcelo Dolabela (1957-2020), um dos idealizadores daquele espetáculo. Gilberto Gil também gravou sua própria versão, um arranjo com banda, num de seus trabalhos pré sucesso nacional e que pode ser ouvida hoje nas plataformas como bônus track do LP Gilberto Gil (1968). Zeca Baleiro, na direção artística, mas também em dicas musicais preciosíssimas, sugeriu a Rogério Delayon, um dos produtores musicais do álbum, que desenvolvesse um arranjo no clima dixieland, o jazz tradicional New Orleans. Como estávamos gravando no período agudo da pandemia, em modo remoto, o maior desafio para criar a base era  juntar todos os sopros necessários, formar um naipe, sem se encontrar em um estúdio.  Zeca se lembrou de Síntia Piccin e Richard Fermino, casal de músicos extraordinário, que ele conhecia e, também eu, de trabalhos no palco com Chico César. Gravando de seu próprio home studio, a dupla “formou” todo o naipe, com tuba e tudo o mais, no arranjo espetacular que Delayon criou. Nessa letra, com linda melodia de Gil, o poeta versa sobre amor e jornal, alegria e perigo, ternura e noite escura… um romantismo “a la Torquato”.

 

Faixa 5 – Go back (Sérgio Britto e Torquato Neto) – feat Zeca Baleiro

 

Essa canção também estava no roteiro do nosso show “TorquaTotal”, de 1998 e está no imaginário de quem viveu a música brasileira dos anos 80/90! Eu estava iniciando a faculdade de jornalismo, quando os Titãs lançaram o primeiro LP “Titãs” (1984), que trazia “Go back”, composição de Sérgio Britto, sobre versos do poema homônimo e depois acrescida de versos do poema “Andarandei”, na versão ao vivo do grupo, registrada no LP “Go back” (1988). Originalmente, a canção é muito forte e um hit conhecido por todos. Então, era um desafio reinterpretá-la. Zeca Baleiro, que assumiu a produção musical nesta, convidou Érico Theobaldo para criar as bases, mantendo a referência de um reggae, na primeira parte, executado apenas com um ukulele, que foi tocado por Rogério Delayon, contrastando com um peso vigoroso na parte dois, mais “falada”, na base criada por Érico. Na harmonia, na coda do arranjo, Zeca deslocou a faixa para uma inusitada tonalidade menor. O convidei para cantar comigo, ele assumiu a parte mais declamada e exploramos bastante os vocais, inclusive acrescentando comentários sobre letra e melodia originais. Acho que ficou uma faixa forte. Espero que os Titãs e o parceiro Sérgio Britto apreciem também!

 

Faixa 6 – Minha Senhora (Gilberto Gil e Torquato Neto)

 

Canção também presente no roteiro do show de 1998.  Gil, o maior parceiro de Torquato Neto em número de obras compostas com o poeta, foi quem primeiro registrou essa canção, num “Compacto Philips”, de 1966. Depois, Gal a gravou no LP “Domingo”, de 1967. Rogério Delayon, produtor da faixa, desenvolveu uma releitura cheia de frescor, numa roupagem muito delicada. Acho que foi um resgate bem interessante o essa canção. Não encontrei outras gravações mais recentes. No arrojo dos versos espertíssimos de Torquato, eu vejo uma espécie de lirismo pop, nessa letra da fase pré-tropicalista: … Onde fica essa morada/Em que reino, qual parada/Dizei-me por qual estrada/É que eu devo caminhar/Minha senhora/Onde é que você mora/Venho da beira da praia/Tantas prendas que eu lhe trago/Pulseira, sandália e saia/Sem saber como entregar…”

 

Faixa 7 – O nome do mistério (Geraldo Azevedo e Torquato Neto)

 

Geraldo Azevedo recebeu a letra de Torquato. Mas só gravou a canção em 2007, no álbum “O Brasil Existe em Mim”. A (re)descobri nas pesquisas de repertório. Além da canção ser linda, com aquela harmonia e melodia muito características de Geraldo Azevedo, achei que era simbólico lançar luz sobre essa parceria. Assim como na faixa com Paulo Diniz, é Torquato no leque de múltiplas e diversas interações com a cena. Marion Lamounier, que produziu, junto com Walter Costa, trouxe a ideia de samplear minha voz, num timbre que costura toda a faixa.

 

Faixa 8 – Que película (Nonato Buzar e Torquato Neto) – feat Ná Ozzetti

 

Nas pesquisas para investigar o que haveria de repertório dentro da obra “musical” do Torquato, além do que eu já conhecia, costumava inserir “Torquato Neto” na busca do google e ia atrás das pistas que apareciam, às vezes em teses acadêmicas, entrevistas antigas, blogues, sites. Muitas vezes, havia as letras, a indicação do compositor parceiro, mas não encontrava a gravação, ou porque não chegaram a virar canção ou porque não foram gravadas pelos parceiros. Uma das buscas me direcionou para “Nonato Buzar” (1970), LP do compositor e produtor musical maranhense Nonato Buzar (1932-2014) e radicado no Rio de Janeiro, que compôs com o poeta pelo menos três canções, inclusive uma para trilha de novela.  “Que película”, uma das parcerias, abre aquele LP. É uma canção meio” fora da curva”, dentro do espectro que conhecemos mais de Torquato…

 

Da fase pré tropicalista, um letrista empenhado em consolidar seu ofício, nas múltiplas facetas das plurais parcerias. Em “Que película”, fica pra mim a curiosidade, saber pra quem esta letra teria sido feita e em que circunstância. Isso, não consegui descobrir.  Pela pegada da faixa, imaginamos logo arriscar um convite para a participação da querida Ná Ozzetti, que aceitou, para minha enorme alegria. O arranjo de Marion Lemonnier e Walter Costa trouxe uma atmosfera divertida reforçando a poesia. Ná trouxe seu canto indefectível, gravamos ao vivo, juntas, e rolou um dueto fluido! É uma cantora que escuto quase diariamente. Enorme honra!

 

Faixa 9 – Zabelê (Gilberto Gil e Torquato Neto)

 

Zabelê foi a canção que deu o start para o projeto. A primeira a ser produzida. Convidamos para a produção musical, Walter Costa, engenheiro de áudio e produtor que eu conhecia, de anos atrás, de colaborações em outros projetos. Já estávamos em período pandêmico e ele estava bem acostumado a trabalhar remotamente. Walter, por sua vez, convidou para desenvolver os arranjos com ele, Marion Lemonnier, produtora e instrumentista da França, mas que foi durante anos radicada no Brasil e pesquisadora da música brasileira. Desenvolveram a partir de Zabelê um conceito para o restante das faixas que a dupla produziria no disco, que contaria também com a produção musical do multiinstrumentista Rogério Delayon, trabalhando solo em outras faixas. A gravação original desta canção está no álbum “Domingo” (1967), de Caetano e Gal, cantada num dueto pelos dois. Na letra de Torquato, a citação de domínio público aparece de início. No arranjo de Marion, ela vai para o meio da canção e eu a acabei cantando, na tradição que conheço, um pouco diferente do registrol de Gal e Caetano.

 

Faixa 10 – Pra dizer adeus (Edu Lobo e Torquato Neto)

 

Esta canção talvez seja o maior sucesso popular alcançado pelo artista Torquato Neto, em sua plural, mas breve e fragmentária produção. São inúmeras regravações, desde os anos 60 até hoje. Mas ela não poderia ficar de fora do repertório, tanto mais sendo esse um recorte dedicado às músicas com letras de amor de Torquato. Além de clássica, trazendo o grande Edu Lobo como parceiro. Zeca Baleiro comentou que a imaginava em um arranjo apenas vocal, sem instrumentação. Ele assumiu a produção musical da faixa e fez um esboço das vozes, gravando as linhas no teclado e com a própria voz. E eram muitas! Saímos em busca de alguém que pudesse concluir o arranjo vocal, finalizando a harmonização criada por Zeca e chegamos em Márcio Santana, incrível regente e arranjador de grupos vocais em Belo Horizonte, que complementou o trabalho!

 

Eram páginas de partituras… e demandou algumas sessões, no estúdio de Zeca, com a querida Gigi Magno, pilotando a mesa de gravação, para finalizarmos toda a grade. Durante o processo para levantar o côro, Zeca refletiu que um violão apoiando os acordes vocais seria interessante para somar na atmosfera geral que ia se revelando. Então, convidamos Swami Jr. para gravar um 7 cordas! Os primeiros registros de “Pra dizer adeus” são de Elis Regina, no LP Elis (1966) e de Edu Lobo e Maria Bethânia, no álbum Edu e Bethânia (1966).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações: ANA PAULA ROMEIRO Assessoria de Imprensa

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