Entrevista exclusiva com o Cantor Nasi, da banda IRA!

A banda Ira! lançou recentemente em todas as plataformas digitais IRA, o primeiro trabalho de inéditas desde “Invisível DJ”, de 2007.

 

Gravado e mixado no estúdio A9 Audio, em São Paulo, entre o final de 2019 e início de 2020, pelo produtor Apollo Nove e o engenheiro de som Jeff Berg, o 12º trabalho autoral da banda, incluindo aí o disco de versões “Isso é Amor” que também pode ser considerado autoral, traz a essência do Ira!. E não é exagero dizer que após 13 anos, a banda lança um trabalho que veio para ficar como um dos melhores de sua longa carreira.

 

 

Acima a nova formação do IRA, da esquerda para a direita – Johnny Boy, Edgard Scandurra, Nasi e Evaristo Pádua. (foto Carina Zarantin).

 

O primeiro trabalho em estúdio da nova formação que, além dos frontmen Nasi e Edgard Scandurra, inclui Johnny Boy (baixo) e Evaristo Pádua (bateria), abre com “O Amor Também Faz Errar”. A faixa, escolhida como primeiro single, é uma canção mod que fala sobre as contradições do coração. O clima mod também está presente em “A Nossa Amizade” e “Você Me Toca”.

 

Já em “Respostas”, soam as guitarras do Scandurra com direito a solo e tudo mais.

 

“O Homem Cordial Morreu” traz a banda em sua pura essência explosiva. As soturnas “A Torre” “Eu Desconfio de Mim” renovam e mantêm vivo o pós-punk.

 

“Mulheres à Frente da Tropa”, composta e interpretada por Scandurra, foi inspirada em manifestações lideradas por mulheres e exalta a força e o protagonismo feminino nas questões políticas e sociais do nosso tempo. O coro de vozes femininas conta com a participação de Virginie Boutaud (ex-Metrô).

 

Outra faixa,  é “Chuto Pedras e Assobio”, letra de Scandurra inspirada na vida dos músicos na estrada.

 

“Efeito Dominó” é a tradicional balada romântica do Ira! e traz um lindo dueto de Nasi com Virginie. Juntamente com o lançamento do álbum, a faixa ganha clipe assinado pelo artista visual Gustavo Von Ha.

 

Gravado à distância, Von Ha comenta: “A montagem revela, além das imagens captadas exclusivamente para esse videoclipe, uma colagem de arquivos pessoais de todos os envolvidos na produção desse trabalho”, diz von Ha. E mais: “Foi a primeira vez que eu dirigi alguém por WhatsApp. É incrível produzir algo de uma forma completamente nova, resolvemos o problema do distanciamento dessa maneira”, completa.

 

A concepção da capa e o projeto gráfico são dos artistas Mayla Goerisch e Guilherme Pacola.

 

Por causa da pandemia, a banda teve que cancelar seus compromissos com a divulgação do novo álbum e não vê a hora de que tudo passe logo, para voltar aos shows e reencontrar novamente seu público e fãs.

 

Ícone no Rock Nacional desde o início dos anos 80, torcedor do São Paulo F.C, o cantor Nasi foi o primeiro produtor de RAP no Brasil, já se apresentou em programas de rádio, teve seu programa na TV, no Canal Brasil  – “Nasi Noite Adentro”, gravou quatro álbuns solos e está no IRA! desde 1981. Também foi vocalista do único álbum da banda Voluntários da Pátria, lançado em 1984, e tem o seu projeto “Nasi & os Irmãos do Blues”, onde traz o melhor do Blues, em todos os sentidos.

 

Em 2018 teve seu documentário lançado – “Você Não Sabe Quem Eu Sou”, no qual traz a trajetória do artista em um período de sua carreira, algumas polêmicas, mas também uma reflexão de um artista que vai muito além de sua fama, um ser humano capaz de enfrentar suas dificuldades e se superar quantas vezes for preciso. O documentário inédito teve seus direitos adquiridos pelo Canal Brasil, vamos aguardar quando ele entrar na programação da emissora.

 

Nasi se reinventou durante a pandemia e deu um jeito de chegar mais próximo de seus fãs e admiradores. Com uma agenda de Lives, onde mostra seu lado gastronômico, o músico conversa com convidados, dá dicas de filmes, livros, séries…

 

E é com ele que fizemos uma entrevista muito legal, por telefone, que gentilmente nos atendeu, conversou sobre o novo álbum da banda e sobre seus projetos paralelos, em um bate papo muito bacana.

 

Com vocês – NASI!

 

 

Acima, a capa do novo álbum do IRA e os ícones referente ao lançamento das músicas lançadas (Projeto Gráfico: Mayla Goerisch e Guilherme Pacola).

 

Boomerang Music  – Falando sobre a concepção do novo álbum do IRA, em especial sobre a capa e as artes lançadas com as músicas antes do lançamento, ficaram bem legais. De quem rolou essa ideia ?

 

Cantor Nasi –

Essa ideia foi coletiva, entre eu, o Edgar e as pessoas envolvidas na capa, porque como nós íamos lançar singles, foi a primeira vez que a gente fez isso, um disco que as músicas saem por plataformas digitais. A gente pensou em usar os ícones, discutir sobre eles e as opções.

 

Quanto a capa, foi uma dessas coisas do destino. A gente estava começando a conversar com um grande artista plástico dos anos 80, que eu não citarei o nome, e que espero um dia ainda fazer uma capa com ele, quando um dia, no carro, em um show do IRA! em Goiânia, se não me engano, o Edgard me mostrou (falou): “olha essa artista, ela tem algumas coisas muito legais, inclusive ela é baixista de uma banda”.  Eu olhei falei: “essa é a nossa capa” (aquele pote com as lanças e as flechas) e a coisa virou completamente, tanto que essa capa álbum não foi uma capa feita para o IRA, já era uma obra da artista (Mayla Goerisch), que acabou se transformando na capa do álbum.

 

Boomerang Music  –  O novo álbum possui 10 faixas, como foi o processo de escolha das canções ?

 

 

Boomerang Music  –  Tem três músicas no novo álbum que ouvimos e colocamos em destaque – “Respostas”, “Você me toca” e “O Homem Cordial Morreu”, que possuem uma pegada bem rock em relação aos discos anteriores da banda. Elas poderão entrar no repertório dos shows?

 

Nasi – As dez músicas do álbum IRA, serão tocadas em nossos próximos shows, assim quando eles voltarem, achamos que esse disco diferente dos anteriores, não tem música que é difícil de se transportar pro palco em relação ao que foi feito no estúdio. Esse disco foi conceitualmente feito num clima ao vivo, deu pra perceber, muito básico, são canções simples. Assim que os shows voltarem vocês podem ter certeza, as dez novas músicas do IRA, serão a espinha dorsal do show.

 

Abaixo, foto do show da banda em 2017, durante a turnê do “IRA! FOLK”, em SP.

 

Boomerang Music  –  Vocês (IRA) participaram de uma Live em conjunto com o Dinho Ouro Preto, mas alguma coisa prejudicou o som da banda. Vocês pretendem fazer outra Live só do IRA?

 

 

Boomerang Music  – Nasi, sua programação de Lives está muito bacana, você fala sobre gastronomia, sobre seus discos preferidos, dá dicas de séries, livros, conversa com convidados… Você não pensa, futuramenteem fazer algum programa de TV ou quem sabe investir nesse lado “blogueiro rockeiro”?

 

 

 

Acima os três álbuns do IRA!, que ainda não chegaram às plataformas digitais (foto reprodução)

 

Boomerang Music  -Existem três álbuns do IRA! que ainda não estão nas plataformas digitais, os ábuns ” 7″, “Você não sabe quem eu sou” e “Invisível DJ”. Eles ainda entrarão no streaming?

 

Nasi – Isso foge do nosso controle, principalmente agora em dois, no caso dos álbuns “Você não sabe quem eu sou” e “7”. Eles foram gravados por uma gravadora nacional, a Paradoxx Music, mais conhecida como “Parandoxx”, simplesmente essa gravadora faliu, sumiu, a gente não sabe dizer pra onde foram os direitos dos fonogramas, estão no limbo. Quanto ao “Invisível DJ”, foi gravado pelo Selo Arsenal, do Rick Bonadio, que também não sei como está a situação de liberação, são situações que não pertencem a gente. Os discos mais recentes que saíramo “Folk” e  agora o atual, os fonogramas são nossos, são produções independentes, os outros a gente fica à mercê das negociações das gravadoras com as plataformas. Até lembrando que o próprio “Acústico MTV”demorou a entrar nas plataformas digitais, os acordos entre as gravadoras e os selos fogem do nosso controle.

 

Boomerang Music  – Em uma das Lives que você realizou,  aconteceu um bate papo muito legal com o Gaspa. O Daniel Scandurra já participou da banda tocando baixo e atualmente é o Johnny Boy que está com essa função. Há a possibilidade de ele tocar futuramente de novo na banda ?

 

 

Boomerang Music  – Além do IRA, você tem seu trabalho solo, também participa dos Voluntários da Pátria e a banda Nasi & os Irmãos do Blues. Para 2021, você tem alguma novidade sobre novos projetos ? E aproveitando, o que você achou da ideia dos shows em formato Drive In e das Lives em que as pessoas pagam um ingresso virtual para assistirem o show do seu artista favorito ?

 

 

 

 

Entrevista realizada por Marco Antonio, Redação Boomerang Music / Revisão de texto: Rosely Rodrigues 

 

Agradecimentos + do que especiais: Marcos Valadão ou simplesmente Nasi